Entrevista com Amit Goswami – Roda Viva 11/02/08

Julho 11, 2009 at 3:17 am (Dany3l)

Amit Goswami, físico, doutorado em física nuclear, nasceu na Índia, filho de um guru hinduísta. Foi pesquisador e professor titular de fisica teórica da Universidade de Oregon, nos EUA, por 32 anos a partir de 1968.

Após um período de crise na carreira, mudou seu foco de pesquisa para cosmologia quântica e aplicações da mecânica quântica ao problema da relação mente-corpo. Publicou o polêmico livro A Física da Alma. Alia em seu trabalho o conhecimento de tradições místicas com exploração científica, buscando unificar espiritualidade e física quântica. Participou do filme chamado Quem somos nós? (What The Bleep Do We Know? em inglês) e que se tornou sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, sendo também muito difundido em DVD no Brasil.

É também autor de outros livros traduzidos para o português como A Janela Visionária, O Médico quântico, e O Universo Autoconsciente.
(Fonte: Wikipedia.org)

A seguinte Entrevista foi concedida pelo Físico Amit Goswami ao programa Roda Viva exibido no dia 11/02/08
está aqui postada em 9 partes, com legendas em português.

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http://www.youtube.com/watch?v=uP5mEYdkmG4

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A Pesquisa Interdisciplinar do Ayahuasca e da DMT

Junho 23, 2009 at 2:22 am (Dany3l)

Post retirado do site  http://arcadauniao.org/artigo.php?idEdicao=14&idArtigo=180

por Marcelo Bolshaw Gomes


Nos últimos anos o fenômeno social e religioso do Ayahuasca, devido a sua enorme complexidade, vem atraindo vários pesquisadores de diferentes especialidades: antropólogos, juristas, psicólogos, biólogos, farmacêuticos, entre outros. Poucas pesquisas, no entanto, alcançam uma visão interdisciplinar de conjunto, se prendendo as particularidades de seu enfoque específico. Por exemplo, há hoje pesquisas de etno-música e de lingüística sobre a poética investigando os cantos do ayahuasca sem se preocupar com sua química ou com suas interações sociais dos cultos atuais. O presente texto pretende fazer uma introdução resumida destes estudos específicos, não só para orientação dos que se iniciam neste assunto multifacetado, mas, sobretudo, para tentar sistematizar de um modo mais abrangente, os resultados dessas diferentes investigações científicas em uma perspectiva interdisciplinar comum.

A PESQUISA NA ÁREA DA ANTROPOLOGIA


A bebida conhecida como Ayahuasca ou Iagé é preparada através da infusão do cipó do Jagube ou Mariri (Banisteriopsis caapi) e da folha da Rainha ou Chacrona (Psychotria viridis) – naturais da região amazônica. A bebida teria origem do Império Inca e seu uso teria se difundido entre várias tribos indígenas, das quais se tem razoável conhecimento antropológico. Ingerindo o chá, os índios absorvem o espírito da planta e, em transe, têm experiências psíquicas e vivenciam fenômenos paranormais, tais como a telepatia, a regressão a vidas passadas, contatos com os espíritos dos seus antepassados mortos, presciência e visão à distância. Há relatos de xamãs usavam a bebida para descobrir qual era a doença de seus pacientes e saber como tratá-la. Diversos antropólogos, inclusive, tomaram o chá e descreveram seus efeitos parapsíquicos.
Ainda hoje, várias tribos praticam rituais com o uso do Ayahuasca no Brasil, como as dos Kampas e dos Kaxinawás, localizadas perto da fronteira com o Peru. Desde o início do século, nos contatos culturais entre seringueiros e índios, a Ayahuasca passou a ser usada pelos migrantes nordestinos, que colonizaram a Amazônia ocidental. Destes contatos surgiram diversos grupos que associaram o uso da bebida a um contexto religioso cristão-espírita, dos quais a União do Vegetal, no estado de Rondônia, o Santo Daime e a Barquinha, no Acre, são os maiores expoentes.

Na Internet, é possível levantar bastante informação sobre o assunto em sites especializados(2). Também é possível ler alguns importantes trabalhos científicos em arquivos pdf. Dentre as diferentes opções, indicamos a tese de doutorado de Sandra Lucia Goulart, Contrastes e Continuidades em uma Tradição Amazônica: as religiões da ayahuasca, dá uma visão panorâmica dos cultos atuais. Especificamente sobre o culto da Barquinha, há o trabalho de Marcelo Simão Mercante, Ecletismo, Caridade e Cura na Barquinha da Madrinha Chica e Ensaio sobre a cura no contexto de um grupo da Barquinha , de Rafael Guimarães dos Santos.
Sobre a história da União do Vegetal (UDV), há poucos trabalhos acadêmicos, mas, na internet, existem pelo menos dois documentos relevantes: um com a
versão oficial da entidade e outro com uma visão mais histórica.

Já sobre o Santo Daime, há muita coisa escrita e publicada, sugerimos o trabalho de Débora Carvalho Pereira Gabrich, O Trabalho oculto e exotérico de Raimundo Irineu Serra, sobre as origens do culto e de Armênio Celso de Araújo, Teodicéia Brasileira: Uma Breve História do Santo Daime sobre seu desenvolvimento. Há ainda alguns trabalhos antropológicos sobre aspectos específicos, que transversalmente alcançam patamares universais, como o de Leandro Okamoto da Silva Marachimbé veio foi para apurar. Estudo sobre o castigo simbólico, ou peia, no culto do Santo Daime(3) ou de Arneide Bandeira Cemin, O “Livro Sagrado” do Santo Daime .

Um dos trabalhos antropológicos mais significativos é o pioneiro Guiado pela Lua – Xamanismo e uso ritual da ayahuasca no culto do Santo Daime, de Edward MacRae (1992). Atualmente, há também os livros de Beatriz Caiuby Labate (4): O Uso Ritual da Ayahuasca (2002, em conjunto com Wladimyr Sena Araújo), A Reinvenção do Uso da Ayahuasca nos Centros Urbanos (2004) e O Uso Ritual das Plantas de Poder (2005, em conjunto com Sandra Goulart).

No âmbito internacional, destacamos o trabalho de pesquisa interdisciplinar desenvolvido por Ralph Metzner, Ayahuasca – Human Consciousness and the Spirit of Nature (Tradução Márcia Frazão: Gryphus, 2002). O livro é subdividido em quatro partes: a experiência da Ayahuasca (composta por 25 depoimentos pessoais de pesquisadores com ênfase em descobertas espirituais fora dos paradigmas religiosos tradicionais): Ayahuasca: uma história etnofarmacológica, de Denis Mckenna; A psicologia da Ayahuasca, de Charles S. Grob; e Fitoquímica e neurofarmocologia da Ayahuasca, de Jace C. Callaway. Além, da introdução e conclusão do próprio Metzner, sintetizando os resultados dos textos da coletânea, há também uma revisão histórica completa dentro de um contexto mais amplo da pesquisa da consciência e a espiritualidade.

A PESQUISA NA ÁREA DO DIREITO

Paralelamente ao crescimento dos cultos e à expansão do uso religioso da Ayahuasca, uma forte resistência dos setores conservadores da sociedade brasileira se formou, pressionando o governo para embargar o funcionamento destas instituições nos grandes centros metropolitanos. Porém, no dia dois de junho de l992, o conselho decidiu liberar definitivamente a utilização do chá para fins religiosos em todo o território nacional. Segundo a então presidente do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), Ester Kosovsky, “a investigação, desenvolvida desde l985, baseou-se numa abordagem interdisciplinar, levando em conta o lado antropológico, sociológico, cultural e psicológico, além de análises fitoquímicas”.

O relator do processo de investigação, Domingos Carneiro de Sá, explicou que o fato fundamental para a liberação da bebida foi o comportamento dos daimistas e a seriedade dos centros que utilizam o chá em seus rituais: “Não foram observadas atitudes anti-sociais dos participantes dos cultos, ao contrário, podemos constatar os efeitos integrados e reestruturantes do Daime com indivíduos que antes de participarem dos rituais apresentavam desajustes sociais ou psicológicos”. (SILVA SÁ, Domingos Bernardo Gialluisi. Ayahuasca, a consciência da expansão, in: Discursos sediciosos. Crime, Direito e Sociedade. Rio de Janeiro, Instituto Carioca de Criminologia, 1996, pp. 145-174).

DATA / DOCUMENTO
30/07/1985 RESOLUÇÃO Nº 4 DO CONFEN
04/02/1986 RESOLUÇÃO Nº 6 DO CONFEN
31/01/1986 PARECER DO CONFEN SUBMETIDO À PLENÁRIA
17/08/1998 PORTARIA Nº 117 DO IBAMA
24/11/1991 CARTA DE PRINCÍPIOS DAS ENTIDADES
02/06/1992 ATA DA 5ª REUNIÃO ORDINÁRIA – CONFEN
16/10/2001 PORTARIA Nº 4 DO IBAMA
04/11/2004 RESOLUÇÃO Nº 5 DO CONAD
17/08/2004 PARECER DO CATC
30/05/2006 COMPOSIÇÃO DO GMT-CONAD
e 06/11/2006 RELATÓRIO FINAL DO GMT-CONAD
Fonte: ayahuascabrasil

Com a expansão do Ayahuasca para outros países, surgiram questões jurídicas internacionais referentes a utilização e transporte da bebida. Dentre os vários processos de legalização, uma referência internacional importante é o texto Religious Freedom and United States Drug Laws: Notes on the UDV-USA Legal Case (MEYER, 2005). O site do Santo Daime na Itália também disponibiliza uma página com literatura jurídica internacional, com material sobre vários países.

A PESQUISA NA ÁREA DA BIOLOGIA

O Projeto Hoasca foi uma iniciativa organizada pela União do Vegetal (UDV) sobre a toxidade do Ayahuasca do ponto de vista clínico. Durante o verão de 1993, um grupo multinacional de pesquisadores biomédicos dos Estados Unidos, Finlândia e Brasil encontrou-se em Manaus para conduzir o mais completo exame dos efeitos bioquímicos e psicológicos da bebida. Participaram desta pesquisa interdisciplinar: Grob; McKenna; Callaway; Strassman, entre outros. Mas, além dos resultados atestando a baixa toxicidade do Ayahuasca para usuários de longo prazo, o Projeto Hoasca também deslocou o foco da pesquisa interdisciplinar da bebida para neuroquímica de seus principíos psicoativos, principalmente a DMT.

N,N-DMT ou N,N-dimetiltriptamina (C12H16N2) é um psicoativo que causa intensa emergência visual quando fumado, injetado ou ingerido oralmente. Na Ayahuasca, está presente na folha Psychotria viridis e em combinação com as enzimas MAOI (harmina e harmalina) existentes no cipó Banisteriopsis caapi permite um mais efeito prolongado e potencializado do que se utilizado sozinho em altas dosagens sem inibidores. N,N-DMT é muito chamou freqüentemente só “DMT”, embora este nome cause confusão algumas vezes com seu primo químico 5-MeO-DMT. A DMT é também um neurotransmissor químico presente naturalmente no corpo humano bem como em plantas muitas e em outros mamíferos. Não há registros que ele cause dependência física ou psicológica, mas há contra-indicações: os efeitos do N,N-DMT são dramaticamente aumentado se usados em altas dosagens (fumado, por exemplo) por indivíduos usando MAOIs. MAOIs são enzimas comumente encontradas nos anti-depressivos (phenelzine, tranylcypromine, isocarboxazid, l-deprenyl e moclobemide). Indivíduos propensos à esquizofrenia, com tendências à psicose depressiva ou ainda em estado emocional vulnerável devem ter cuidado com a DMT pois ela pode funcionar como um ‘gatilho’ para a manifestação desses desequilíbrios. Hoje, na internet, encontram-se alguns sites com informação detalhada sobre a substância (http://dmt.lycaeum.org/ e http://www.erowid.org/chemicals/dmt/dmt.shtml).

A DMT e as beta-carbolinas são similares em sua estrutura molecular a Serotonina, um neurotransmissor responsável por vários processos cognitivos. Isto levou a uma série de especulações sobre qual seriam os efeitos do Ayahuasca em nosso organismo?
Para Ralph Miller(5), por exemplo, em
Ayahuasca – Universidade de Gaia:

A Pineal irá produzir DMT em grandes quantidades em pelo menos dois momentos das nossas vidas: no nascimento e na morte. Talvez ela prepare a chegada e a partida da alma. Pessoas que experimentam “situações de quase morte” – vendo luzes fortes, portais, ícones religiosos – relatam efeitos semelhantes aos das experiências com DMT. As moléculas de DMT são similares às moléculas da Serotonina e se encaixam nos mesmos receptores do cérebro. Isto é extraordinário porque, assim como a Serotonina, a DMT é uma chave específica que naturalmente se encaixa nesta “trava” do cérebro. Assim, você tem a DMT se encaixando aos receptores do cérebro, o que produz visões, enquanto as propriedades pró-Serotonina e pró-Dopamina do chá criam um estado de alerta e receptividade.

Do ponto de vista científico, há várias hipóteses sobre o papel da DMT no cérebro humano. Uma hipótese é de que esta substância estaria relacionada com a manifestação da esquizofrenia e dos distúrbios psicóticos. No entanto, ao se encontrar níveis semelhantes de DMT em sujeitos sadios e em esquizofrênicos, esta hipótese vem sendo abandonada. (FISCHMAN, 1983). Outra hipótese, postulada por Richard Strassman em seu livro, A Molécula do Espírito, diz que a DMT é produzida pela glândula Pineal e está relacionada com experiências de “pico” (nascimento, experiências de quase-morte, morte etc). Uma terceira hipótese feita por Callaway, que se relaciona com as duas primeiras, é que a DMT está relacionada com a regulação do sono, especificamente, na produção das imagens nos sonhos: o sono REM. Neste caso, se a DMT fosse produzida em excesso poderia ocasionar alucinações.

Atualmente, várias pesquisas investigam a utilização de medicamentos a base de DMT para tratamento químico de depressão, neuroses, fobias, síndromes neurológicas, bem como sua utilização como potencializador da consciência em processos terapêuticos psicológicos.

A PESQUISA NA ÁREA DA PSICOLOGIA

Enquanto os pesquisadores das áreas biológicas dão um enfoque enquadrado particularmente aos efeitos químicos da DMT no cérebro, os pesquisadores das áreas clínicas e psicológicas estudam a mudança nos estados de consciência e de percepção, distribuindo sua atenção em três fatores: a bebida, o ambiente (setting) e a intenção (set. A hipótese denominada em inglês de ’set and setting’, formulada inicialmente por Timothy Leary com LSD nos anos 60, foi adotada pela maioria dos pesquisadores da área. A hipótese afirma que o conteúdo de uma experiência com substancia psicoativa é uma resultante da interação desses três fatores básicos.

Charles S. Grob, também participante do Projeto Hoasca, fez a mais ampla revisão bibliográfica sobre o Ayahuasca na área da psicologia clínica e neuro-psiquiatria (METZNER, 2002, p. 195) e considera a hiper-sugestionabilidade como um dos efeitos psico-químicos, detalhando o aspecto ambiental (setting) em vários fatores (o papel do líder, do grupo, do local). Ele é um dos pesquisadores que concluem que “o contexto, o roteiro e o propósito” são mais importantes do que os efeitos químicos de substância psicoativas (nos processos de “cura” e de autoconhecimento propiciados pela bebida).

Em relação às características dos estados de consciência quimicamente alterados pelo Ayahuasca, Grob aponta: a) Diminuição ou expansão da consciência reflexiva, com alterações de pensamento, mudanças subjetivas na concentração, na atenção, na memória e no julgamento podem ser induzidas voluntariamente em vários níveis de uma mesma experiência. b) Aumento da imaginação visual. Grob também identifica, dentre as experiências de milhares usuários entrevistados, várias recorrências psicológicas durante o transe: medo de perder o controle; resistência do ego (bad trip) e transcendência para estados místicos (entrega); aumento da expressão emocional – tristeza, alegria, desespero, fé; entre outras menos freqüentes.

Bastante significativa é a descrição do transe feita pelo Dr. Regis Barbier, no artigo Ayahuasca como opção espiritual (6)

A Ayahuasca revela que o conhecimento que temos do mundo, da existência, é um estado ou processo psicossomático. (…) A percepção, habitualmente embotada, permite apenas aprender e acessar uma fração distorcida de realidade; uma realidade revestida de projeções pessoais e pressuposições. (…) A Ayahuasca amplifica a capacidade psicossomática de responder a gradações mais sutis de estímulos além de muitas vezes integrar as diversas faculdades sensoriais em processos sinestésicos. Esse efeito de aumentar a capacidade de experienciar, de avaliar e apreciar por si mesmo, é central para a compreensão do seu significado. Esta amplificação, como uma lupa, permite uma (re)visitação intensiva e absorta dos conteúdos mentais – recordações, idéias, fantasias, pensamentos, emoções, medos, esperanças, sensações em gerais. Na dependência da ética e valores morais atuais do indivíduo, além de influir na intensidade e no foco das percepções, a experiência pode motivar a re-significação dos conteúdos sendo observados. Valores morais e atitudes são revistas. Aqui temos uma tecnologia que alterando a composição bioquímica do instrumento e dos meios de processamento da informação, permite a inativação temporária dos filtros culturais e psicodinâmicos que nos bastidores da mente agem determinando, formatando e hierarquizando, nossas experiências quotidianas. Pode se de fato aprender muito, crescer e liberar energia psíquica e vendo, transformando, eliminando, aceitando e se reconciliando com conteúdos incômodos. (…) O grande valor da Ayahuasca, trazidos à nossa atenção pelas sociedades indígenas, é que ela dissolve os limites da mente inconsciente; ela dá acessos aos conteúdos reprimidos e esquecidos. Ela possibilita o reconhecimento das configurações universais da psique, os arquétipos de humanidade, junto com um leque mais abrangente de conhecimentos e maneiras de conscientizar, até eventualmente a vivência dos diversos aspectos da união mística. Na medida em que o indivíduo consegue ver as coisas de uma maneira não distorcida, vendo claramente não apenas o seu passado mais também a presunção e cegueira da sua própria cultura e grupos de referencias, ele necessita, além de tolerar a decepção e o sofrimento, superar sentimentos de desamparo. Nem sempre é fácil ter de ver e aceitar que não somos assim tão vítimas, mas sim responsáveis pelas nossas vidas; aceitar ser capaz, reconhecer o seu potencial e a responsabilidade que isso requer implica coragem e determinação. Podemos até recusar crer que fazemos jus a muita beleza e alegria, bem estar profundo, sem nada ter de pagar além de ser o que já se é; apenas sendo o que já somos. O gerenciamento emocional produtivo dessa reavaliação, a reorganização psíquica, implica um grau suficiente de equilíbrio e bom senso para que se tomam atitudes judiciosas sem precipitações.

Outra grande contribuição ao estudo psicológico do Ayahuasca é o trabalho de Benny Shanon, O Conteúdo das Visões da Ayahuasca, em que além de trabalhar um levantamento das imagens das mirações e da hipótese de aceleração e desaceleração da percepção do tempo durante o transe, se discute também a pesquisa da mente através do ayahuasca (e não mais o efeito da ayahuasca na mente humana).

Shanon já havia escrito sobre o Ayahuasca como instrumento de investigação da mente (in LABATE, 2002; pág. 631), através dos parâmetros teóricos da psicologia cognitiva. Para ele, há questões fenomenológicas de primeira ordem (o que está sendo experimentado?) e de segundo ordem (Há uma ordem e um sentido no que está sendo experimentado?). Há também questões de dinâmica, de contexto e teóricas gerais a serem discutidas sobre o uso do Ayahuasca. Por exemplo, em relação às questões fenomenológicas de primeira ordem, Shanon distingue as questões de conteúdo das de domínio e de estrutura. Assim, felinos, pássaros e répteis são as imagens mais recorrentes nos transes, seguidos de perto pelos palácios, tronos e imagens arquitetônicas celestiais.

A pesquisa destaca que as imagens são ‘universais da mente’ (semelhantes ao que Jung chamou de arquétipos), pois surgem em indivíduos sociais e culturalmente diferentes. Esses conteúdos podem surgir de diferentes formas ou domínios e o encadeamento dessas formas com estes conteúdos forma estruturas narrativas paralelas aos rituais. E Shanon entrevê, através deste sistema cognitivo de conteúdos/domínios, os parâmetros estruturais da consciência e destaca pelo menos quatro aspectos relevantes em relação ao efeito do Ayahuasca: a percepção do pensamento como uma cognição coletiva, a indistinção entre o interior e o exterior, e as experiências desindentificação pessoal e de tempo não-linear. Ou seja: quando tomam Ayahuasca as pessoas percebem que seus pensamentos não são individuais, mas sim ‘recebidos em rede’ (a mente como um rádio); que não existe a distinção entre o sensorial e o sensível; podem se transformar em animais (jaguares e águias são freqüentes) ou em outras pessoas; e finalmente percebem o transcorrer do tempo de forma desigual, em que alguns segundos demoram séculos e horas se sucedem rapidamente e em que alguns momentos se experimentam a simultaneidade (ou a sensação de eternidade) temporal. Quando baixamos arquivos no computador, pode-se perceber que alguns segundos demoram mais que outros, em função do peso do arquivo e da aceleração da conexão da internet. O que Shanon suspeita é que o mesmo acontece com o cérebro, mas só é perceptível sob o efeito do Ayahuasca.

Acredito que o desenvolvimento das pesquisas na área da psicologia se dará a partir do aprofundamento neurocientífico das teses de Shanon. Ou seja: não apenas estudar o efeito químico da substância no organismo, mas, sobretudo, compreender quais dimensões de consciência que este efeito propicia (telepatia, regressões mentais a traumas infantis, visualização de imagens do inconsciente profundo, mudanças na percepção do tempo e da realidade). Além de investigar o efeito da DMT no cérebro, observando o aspecto reverso, estudar a mente através da DMT – este será o propósito central das pesquisas psicológicas da ayahuasca.

ANTEPROJETO

Além, de pesquisas psicológicas, antropológicas, jurídicas e biológicas (incluindo aqui estudos neuroquímicos, farmacêuticos e clínicos), há também várias pesquisas sobre a música das cerimônias, a poesia dos cantos, as danças do ritual, a arquitetura dos templos, enfim, toda descrição semiótica e lingüística da arte dos cultos, bem como suas concepções doutrinárias. Nosso objetivo aqui, como dissemos no começo, é o de introduzir as diferentes investigações sobre a ayahuasca, buscando observar o que cada tem de essencial em relações às demais. Mais do que uma síntese entre essas pesquisas, o que se pretende é o de estabelecer uma atualização sistemática dessas investigações e observar as suas inter-relações. Teríamos, assim, nesta perspectiva, uma pesquisa interdisciplinar do Ayahuasca cinco linhas específicas de observação e acompanhamento: Antropologia, Direito internacional, Biologia (subdividido em várias áreas), Psicologia e Comunicação Social. Cada linha de pesquisa deve ser coordenada por doutor e, na prática, consistiria na investigação e na sistematização de um aspecto específico da pesquisa inter-disciplinar.

O projeto inter-disciplinar de pesquisa do Ayahuasca e da DMT prevê ainda: a) realização de encontros anuais em diferentes universidades e centros de estudos, em que os pesquisadores, organizados em Grupos de Trabalho segundo as linhas de pesquisa, apresentarão artigos e resenhas sobre a literatura internacional sobre o tema; e b) a criação de uma publicação acadêmica nacional, impressa e na internet, com a produção científica dos pesquisadores e informações sobre as pesquisas internacionais semelhantes

Notas:

(1) Marcelo Bolshaw Gomes < marcelobolshaw@ufrnet.br> é jornalista, professor de comunicação e doutor em ciências sociais pela UFRN, mas o presente texto é resultado da interação de vários pesquisadores através da lista: http://br.groups.yahoo.com/group/pesquisadores_da_ayahuasca/.

(2) V. principalmente www.santodaime.org; www.ayahuasca.com e http://yage.net/

(3) Há um capítulo especialmente interessante: A Peia de todos e a peia de cada um.

(4) Mestre e doutoranda em Antropologia Social pela Unicamp, pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos e coordenadora do instituto Alto das Estrelas .

(5) Tradução: Sergio Garcia Paim, originalmente publicado em http://www.heartoftheinitiate.com/articles_gaia.htm

(6) Originalmente publicado no site: http://www.panhuasca.org.br

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McKENNA D.J., CALLAWAY J.C. & GROB C.S.
1998 -

TESES E DISSERTAÇÕES COM REGISTRO NA CAPES
Elsje Maria Lagrou.   UMA ETNOGRAFIA DA CULTURA KAXINAWA ENTRE A COBRA E O INCA. – 01/06/1991
Evelyn Doering Silveira.   AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA DE ADOLESCENTES QUE CONSOMEM CHÁ DE AYAHUASCA EM CONTEXTO RITUAL RELIGIOSO – 01/12/2003
Laura Pérez Gil.   Pelos caminhos de Yuve: conhecimento cura e poder no xamanismo Yawanawa – 01/11/1999
Alberto Groisman.   “EU VENHO DA FLORESTA”: ECLETISMO E PRAXIS XAMANICA NO “CEU DO MAPIA”. – 01/01/1991
Antonio Henrique Fonseca Romero.   Autopoise e Educação no Movimento do Santo Daime – 01/10/2004
Beatriz Caiuby Labate.   “A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos” – 01/04/2000
Eliseu Labigalini Júnior.   O USO DE AYAHUASCA EM UM CONTEXTO RELIGIOSO POR EX-DEPENDENTES DE ÁLCOOL – UM ESTUDO QUALITATIVO – 01/06/1998
Fernando de La Rocque Couto.   SANTOS E XAMAS: ESTUDOS DO USO RITUALIZADO DA AYAHUASCA POR CABOCLOS DA AMAZONIA E EM PARTICULAR NO QUE CONCERNE SUA UTILIZACAO SOCIO-TERAPEUTICA NA DOUTRINA DO SANTO DAIME – 01/06/1989
Leandro Okamoto da Silva.   Marachimbé Chegou Foi Para Apurar. Estudo Sobre o Castigo Simbólico, ou Peia, no Culto do Santo Daime. – 01/09/2004
Leonor Ramos Chaves.   A MULHER URBANA NO SANTO DAIME: Entre o modelo arcaico e o moderno de feminino – 01/11/2003
Maíra Teixeira Pereira.   ARQUITETURA COMO UM MICROCOSMO: RELIGIOSIDADE E REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO NA COMUNIDADE DO MATUTU-MG – 01/04/2003
Mara Rosane Coelho Teixeira.   EM RODA DOS MENINOS: UM ESTUDO DA VISÃO DE MUNDO CONSTRUÍDA PELAS CRIANÇAS NA COTIDIANIDADE DA DOUTRINA DO SANTO DAIME NA VILA CÉU MAPIÁ/AM -2003 – 01/06/2004
Maria Cristina Pelaez.   “NO MUNDO SE CURA TUDO: INTERPRETAÇÕES SOBRE A ‘CURA ESPIRITUAL’ NO SANTO DAIME” – 01/12/1994
Maria de Fátima Henrique de Almeida.   Santo Daime: a colônia cinco mil e a contracultura (1977-1983) – 01/08/2002
Paulo César Ribeiro Barbosa.   Psiquiatria cultural do uso ritualizado de um alucinógeno no contexto urbano: uma investigação dos estados de consciência induzidos em moradores de São Paulo pela iniciação ao consumo da Ayahuasca no Santo Daime e União Vegetal – 01/08/2001
Rodrigo Sebastian de Moraes Abramovitz.   MÚSICA E MIRAÇÃO: UMA ANÁLISE ETNOMUSICOLÓGICA DOS HINOS DO SANTO DAIME. – 01/03/2003
Rosana Martins de Oliveira.   DE FOLHA E CIPÓ É A CAPELINHA DE SÃO FRANCISCO: A RELIGIOSIDADE POPULAR NA CIDADE DE RIO BRANCO – ACRE (1945-1958) – 01/08/2002
Sandra Lúcia Goulart.   AS RAÍZES CULTURAIS DO SANTO DAIME – 01/05/1996

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Utilidade Pública – (Livros e vídeos – download)

Abril 18, 2009 at 2:09 am (Dany3l)

Livros completos e textos para Download em PDF


  • Albert Hofmann

- LSD, Minha Criança Problema

  • Alice Bailey

- A Consciência do átomo

  • Álvaro Estrada

- A Vida de Maria Sabina, a Sábia dos Cogumelos

  • Amit Goswami

- A Física da Alma

- Universo Autoconsciente

  • Carl Gustav Jung

- Memórias, Sonhos e Reflexões

- O Desenvolvimento da Personalidade

- O Homem e seus Símbolos

- Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo

- Psicologia do Inconsciente

- Psicologia e Religião

- Um mito moderno sobre coisas vistas no céu

  • Desmond Morris

- O Macaco Nú

  • Fritjof Capra

- A Teia Da Vida

- Conexões ocultas

- O TAO da Física

- Pertencendo ao Universo

  • Henry David Toreau

- A Vida nos Bosques (Walden)

  • João Paulo Centelhas

- Monografia

  • Lao Tsé

- Tao Te Ching

  • Paramahansa Yogananda

- A autobiografia de um Iogue

  • Peter Tompkins & Christopher Bird

- A Vida Secreta das Plantas

  • Rupert Sheldrake

- A Mente Ampliada

  • Seicho-No-Ie

- Sutra Sagrada

  • Stanislav Grof

- A Tempestuosa Busca do Ser

- Emergência Espiritual: Crise e transformação espiritual

- O Jogo Cósmico

  • Terence Mckenna

- O Alimento dos Deuses

- O Retorno à Cultura Arcaica

  • Timothy Leary

- A Experiência Psicodélica

  • Outros

- O Livro Tibetano dos Mortos (Bardo Thodol)


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A Experiência de Contato com OVNI’s como Crise de Transformação

Abril 4, 2009 at 7:35 pm (Swoboda)

 

 

Por Keith Thompson

 

Extraído do livro “Emergência Espiritual – Crise e Transformação Espiritual”, de Stanislav Grof e Christina Grof


 

 

Eles não me tocaram, mas estenderam as mãos como se me dessem assistência. Parece haver uma plataforma lá… e estou pisando nela. A luz está acima. É brilhante, bem brilhante – e ela tem aquelas faixas de luz saindo dela. Parece que ela está me levando para cima!… A luz está ficando cada vez mais brilhante… Estou envolta em luz… uma brilhante luz branca. Estou parada ali. A luz não parece ferir. Não é quente. É apenas luz branca, em torno de mim e em mim..

 

Betty Andreasson Descrevendo o Seu Contato Com Ocupantes de um OVNI em 1967 em The Andreasson Affair

***

 

Embora a existência de vida inteligente fora do planeta continue sendo uma questão aberta, são extremamente comuns, vividas e convincentes as experiências de comunicação e de encontros com seres extraterrestres. Elas são parte dos mais interessantes e curiosos fenômenos do domínio transpessoal. Fica cada vez mais claro que elas merecem um estudo sério, reflitam ou não a realidade objetiva.

 

As experiências que envolvem contatos com a inteligência extraterrestre compartilham muitas das características das experiências místicas e podem levar a uma confusão e a crises psico-espirituais muito semelhantes. O curso mais interessante e promissor da pesquisa dos OVNIs afasta-se do acalorado debate acerca da factualidade da visita de seres de outros universos à terra e se dirige para o estudo da experiência com OVNIs como um fascinante fenômeno em si mesmo.

 

Keith Thompson é um ardoroso estudioso das características psicológicas desses contatos. Graduado em literatura inglesa na Universidade Estadual de Ohio, é um escritor altamente sensível e perceptivo que explora novos desenvolvimentos da filosofia, da psicologia, da psicoterapia, da ciência e da espiritualidade modernas. Seus artigos são publicados regularmente em Common Boudary (de que ele é editor-colaborador), Esquire, New Age, Utne Reader, San Francisco Chronicle e Yoga Journal. Ele também tem uma coluna semanal na Oakland Tribune, onde trata de temas relativos à “alma da ciência moderna e à ciência emergente da alma”.

 

Residente em Mill Valley, Califórnia, Thompson tem acompanhado com grande interesse os desenvolvimentos no campo da psicologia transpessoal, uma disciplina que surgiu na área da Baía de São Francisco. Ele se interessa em particular pela sua enriquecedora relação com os avanços revolucionários da ciência. Seu estreito vínculo com o Instituto Esalen, de Big Sur, Califórnia, permitiu-lhe adquirir conhecimento de uma variedade de técnicas psicoterapêuticas.

 

Tendo feito treinamento avançado em hipnose e terapia Gestalt, Thompson usa essas duas abordagens para estudar o significado mais profundo dos estados de consciência incomuns, área que há muitos anos constitui um dos seus apaixonados interesses. As experiências de contato com OVNIs e com a inteligência extraterrestre parecem-lhe especialmente desafiadoras e curiosas. Thompson está escrevendo um livro, Aliens, Angels, and Archetypes, que explora a dimensão mítica do fenômeno dos OVNIs.

 

Embora a contribuição de Thompson trate dos problemas específicos das pessoas que tiveram experiências relacionadas com os OVNIs, os temas por ele desenvolvidos no tocante a esses episódios, entendidos como formas de iniciação, têm algo a dizer a todos quantos foram atingidos por crises espirituais.

 

***

 

Dentre todas as perguntas complicadas feitas por pessoas que tiveram contato direto com um OVNI, a mais espantosa – e mais comum – talvez seja: “Por que eu?” Essa questão está presente em todo o conhecido relato feito por Whitley Streiber de sua experiência de rapto, Communion (1987), bem como na crônica sobre o fenômeno do rapto por OVNIs feita por Budd Hopkins, Intruders (1987).

 

Desejo tratar precisamente dessa sensação de ter sido escolhido por alguma razão desconhecida para realizar algum propósito ou missão desconhecidos. Por meio de longas conversas com pessoas que decidiram – muito corajosamente, me parece – lidar de perto com a sua experiência, descobri que a questão costuma apresentar-se como “Fui aliciado ou iniciado? Se fui, por que ou por quem? Com que objetivo?” Mais tarde, procurei dados antropológicos a fim de obter uma melhor compreensão dos estágios, das estruturas e da dinâmica das cerimônias de iniciação, e de ver se faz sentido falar de paralelos entre as iniciações da escala humana e as experiências humanas com o Outro desconhecido chamado OVNIs.

 

Trato aqui daquilo que as pessoas relatam acerca da sua experiência, e não daquilo que é objetivamente, em última análise, verdadeiro – sendo esta última questão uma outra discussão, que me levaria a seguir uma direção bem distinta. Minha abordagem é fenomenológica: tomo como dados primários aquilo que a pessoa que recebe o OVNI relata como sua experiência. Deixarei aos outros as inferências sobre a natureza da realidade que serve de base e que causa “meras aparências”. Esse debate é povoado invariavelmente por pressupostos sobre o que pode ou não ser real, enquanto minha abordagem deixa esses pressupostos entre parênteses. Isso permite a exploração das Experiências com OVNIs (ou EOVNIs) e outros fenômenos extraordinários sem ser perturbado por tendências metafísicas e crenças exclusivistas no tocante aos dados importantes.

 

A intensidade da crise existencial ou transpessoal que pode ser precipitada por uma EOVNI não parece depender do fato de o receptor sentir ou não que interagiu com um objeto voador não identificado tradicional ou, em vez disso, teve uma; experiência “mediúnica”, “imaginária”, “arquetípica”, “de proximidade da morte”, “de saída do corpo” ou “xamânica”. A autenticidade experiencial de uma EOVNI parece depender em larga medida do grau até o qual o receptor passa pela interação com seres, presenças ou objetos de outro mundo como experiência significativamente substancial e fundamentalmente real – e até “mais do que real”. Se essas condições forem atendidas, também a profundidade de uma crise transpessoal relacionada com os OVNIs não parece depender do tipo de hipótese feita pelo receptor com relação aos “seres do OVNI” – cidadãos do “espaço exterior”, de “universos paralelos”, do “inconsciente coletivo”, do “céu”, do “inferno” ou de outros lugares numinosos. Tomo por ponto de partida, na exploração da natureza iniciatória das EOVNIs, os padrões desses relatos.

 

O professor Arnold Van Gennep definiu os ritos de passagem como “ritos que acompanham toda mudança de lugar, de estado, de posição social e de idade”. O nosso movimento do ventre ao túmulo é pontuado por algumas transições críticas marcada por rituais apropriados que têm como alvo tornar clara a significação do indivíduo e do grupo diante de todos os membros da comunidade. Essas passagens ritualizadas incluem o nascimento, a puberdade, o casamento e a confirmação religiosa, incluindo a introdução em escolas de mistério de vários tipos. Adiciono a essa relação uma nova categoria de experiência: o contato OVNI/ ser humano, uma interação que tem muitas semelhanças estruturais e funcionais com outras ocasiões iniciatórias.

 

Diante do que considero o paradoxo central da interação ser humano/alienígena -  isto é, a contínua irredutibilidade do fenômeno dos OVNIs através de meios e modelos convencionais, aliada à permanente manifestação do fenômeno em formas cada vez mais estranhas -, é difícil evitar a impressão de que a própria tensão que constitui esse paradoxo tem tido um impacto iniciatório. Enquanto o debate entre os verdadeiros crentes de ambos os lados da questão dos OVNIs segue na sua previsível banalidade, nossos sistemas de crença pessoais e coletivos têm sofrido mudanças imperceptíveis e, ao mesmo tempo, significativas.

 

Sem que nos demos conta, a estrutura mitológica humana tem passado por uma modificação fundamental. As pesquisas de opinião e outros termômetros das tendências coletivas revelam que hoje há um número nunca antes alcançado de pessoa que têm por certo que não estamos sozinhos no universo. A própria relutância do fenômeno dos OVNIs em desaparecer ou em chegar consideravelmente mais próximo de nós de uma vez tem nos condicionado – ou, se se desejar, iniciado – a considerar extraordinárias possibilidades acerca daquilo que somos no íntimo e sobre quais devem ser as condições definitórias do jogo que denominamos realidade.

 

Van Gennep demonstrou que todos os ritos de transição se desdobram em três fases: separação, marginalidade e agregação ou consumação. A fase um, a separação, envolve o afastamento das pessoas e grupos de uma posição social fixa anterior ou conjunto prévio de condições culturais, uma saída ou abandono de um estado precedente. Por exemplo, o jovem que participa de uma cerimônia iniciatória masculina numa cultura tradicional é forçado a deixar a sua auto-identificação de “menino” na porta do local de iniciação.

 

A fase dois, a marginalidade, implica a entrada numa condição de vida à margem, que não está em um nem em outro lugar, que não está propriamente aqui nem ali. A marginalidade (também chamada liminaridade, do latim limen, “limiar”) se caracteriza por uma profunda sensação de ambigüidade sobre quem a pessoa de fato é. O jovem deixou de ser um menino mas ainda não se tornou, por meio de um ritual especialmente concebido, um homem.

 

A agregação, por sua vez, é o momento de voltar a conviver com os outros, mas de uma nova maneira, saindo das margens para entrar num novo estado de ser. Trata-se da consumação ou culminação do processo. Agora, o ser humano masculino obteve o direito de ser chamado de homem e de se considerar tal.

 

Joseph Campbell, que é de longe o mais criativo e perceptivo mapeador dos domínios mitológicos, escreveu muito sobre as muitas formas que a fase de separação pode assumir. Em sua obra clássica sobre o mito universal da jornada do herói, The Hero with a Thousand Faces [O Herói de Mil Faces], ele escreve: “Um herói vindo do mundo cotidiano se aventura numa região de prodígios sobrenaturais.” Que descrição magnificamente sucinta dos primeiros momentos do contato com um OVNI – embora, com efeito, os OVNIs não sejam mencionados uma única vez no livro de Campbell. Ele prossegue, denominando essa primeira fase da jornada O Chamado da Aventura; ela significa que

 

o destino convocou o herói e transferiu-lhe o centro de gravidade do seio da sociedade para uma região desconhecida. Essa fatídica região dos tesouros e dos perigos pode ser representada sob várias formas: como uma terra distante, uma floresta, um reino subterrâneo, a parte inferior das ondas, a parte superior do céu, uma ilha secreta, o topo de uma elevada montanha ou um profundo estado onírico. Mas sempre é um lugar habitado por seres estranhamente fluidos e poliformos, tormentos inimagináveis, façanhas sobre-humanas e delícias impossíveis. O herói pode agir por vontade própria na realização da aventura, como faz Teseu ao chegar à cidade do seu pai, Atenas, e ouvir a horrível história do Minotauro; da mesma forma, pode ser levado ou enviado para longe por algum agente benigno ou maligno, como ocorreu com Ulisses, levado Mediterrâneo afora pelos ventos de um deus enfurecido, Posêidon. A aventura pode começar como um mero erro, como ocorreu com a aventura da princesa do conto de fadas; igualmente, o herói pode estar simplesmente caminhando a esmo quando algum fenômeno passageiro atrai seu olhar errante e o leva para longe dos caminhos comuns do homem. Os exemplos podem ser multiplicados, ad infinitum, vindos de todos os cantos do planeta.    [P. 66 da edição em português]

           

Tomei a liberdade de fazer essa longa citação por que estou cativado pelos muitos paralelos entre o chamado da aventura do herói, na mitologia, e os inúmeros exemplos das aventuras com OVNIs de pessoas convocadas “do seio da sociedade para uma região desconhecida”. Muitos contatados se abrem, curiosos, e até excitados, ao encontro com alienígenas dos OVNIs; os raptados são levados contra a sua vontade. Conheci muitas pessoas que estiveram “em contato” com agentes dos OVNIs por meio do que eles consideram ser uma espécie de erro ou apenas em conseqüência de seguirem com a sua vida, cuidando de suas próprias coisas.

 

De qualquer maneira, o herói (ou contatado ou raptado) é afastado ou separado do coletivo, da corrente principal, de uma forma forte, transformadora da vida. Isso nos leva à resposta muito freqüente ao Chamado da Aventura: a recusa. Como a separação do coletivo costuma ser terrível, o herói muitas vezes diz, tão-somente: “Diabos, eu não vou” – ou mais precisamente, “Eu não fui”.

 

Em termos da experiência com OVNIs, o contato ou rapto conclui (freqüentemente para preservar sua própria sanidade) que “Não podia ser real… Não aconteceu comigo… Foi apenas um sonho… Se eu guardar a lembrança para mim, talvez tudo se dissipe…” Recusar o chamado, escreve Campbell, representa a esperança do herói de que o seu atual sistema de ideais, virtudes, objetivos e vantagens possa ser consolidado e garantido por meio do ato de negação. Mas não está prevista essa sorte: “Somos perseguidos, dia e noite, pelo divino ser que é a imagem do eu vivo presente no labirinto fechado da nossa própria psique desorientada. Os caminhos para as portas se perderam; não há saída.”

 

As grandes religiões e tradições filosóficas do mundo falam de várias maneiras desse momento crucial, que podemos descrever como “o combate com o anjo pessoal”. O ser ou seres que guardam o limiar não admitem desvios; o caminho para além é a passagem pelo limiar. O Outro numinoso costuma exigir, em todos os seus disfarces, algo que parece inaceitável ao iniciado; mas a recusa parece impossível quando se está nessa zona nova e desconhecida. O terror muitas vezes toma conta da pessoa, como o diz Whitley Streiber ao descrever o seu rapto por um OVNI:

 

“Whitley” deixou de existir. Restou um corpo num estado de terror tamanho que tomou conta de mim como uma espessa e sufocante cortina, tornando a paralisia uma condição que parecia próxima da morte. Não creio que a minha humanidade comum tenha sobrevivido à transição.

 

Quão vívida é essa descrição da separação forçada do mais profundo sentido de identidade por um agente alienígena – e do ser deixado nas ambíguas margens do ser! A experiência de Streiber é comum a muitos – mas não a todos – os raptados por OVNIs.

           

Seria justificável sugerir que o que está em jogo nos contatos alienígena/ser humano é um certo conceito de humanidade? Parece mais do que provável que nossa ambivalência – que permeia toda a cultura – com relação à aceitação do fenômeno dos OVNIs como uma coisa real reflete a sensação coletiva de que a aposta é de fato alta. Encarar o rosto do Outro requer que enfrentemos a dolorosa admissão de Rainer Maria Rilke: “Não há nenhum lugar além de você mesmo: Você precisa mudar a sua vida.”

           

Como cultura – talvez como espécie -, somos fatalmente atraídos por esse misterioso desconhecido, somos chamados por ele – e, no entanto, o medo de Streiber não é só seu. O reconhecimento de que existe há muito tempo aquilo que Streiber chama de “fenômeno do visitante” nos convida a aceitar, em suas palavras, “que podemos muito bem ser alguma coisa distinta daquilo que acreditamos ser, que podemos estar na terra por razões que podemos não saber e cuja compreensão será um imenso desafio”.

           

Para quem não foi levado e molestado por alienígenas, a recusa do chamado pode ser muito sutil. Muitas pessoas cujo contato com o Outro é telepático, ou caracterizado por fenômenos visionários com motivos mitológicos, podem ver-se, no início, resistindo à experiência simplesmente desligando-se dela. Quem de nós deseja desistir do sentido seguro e familiar de identidade? Todos somos assombrados pela presença da própria Sombra, aquela coisa dentro de nós e ao nosso redor que se recusa a ser facilmente colonizada pelo avaro ponto focal chamado ego. Contudo, uma vez vivida uma certa parcela da vida, fica mais difícil ignorar o constante apelo de reconhecimento que o Outro nos faz, visando retornar a um lugar central e ativo em nossa vida.

           

Os antigos sabiam a importância de manter um diálogo íntimo com o nosso duplo ou daemon, chamado genius em latim, “anjo da guarda” pelo cristianismo, “homem reflexo” pelos escoceses, vardogr pelos noruegueses, Doppelgänger pelos alemães. A idéia era: ao cuidar do desenvolvimento do nosso “gênio”, esse ser espiritual nos daria ajuda por toda a vida mortal humana e na próxima. Os seres humanos que não cuidavam do seu Outro pessoal tornavam-se uma entidade maléfica e ameaçadora chamada de “larva”, dada a pairar sobre aterrorizadas pessoas adormecidas e a levar as pessoas à loucura.

           

Portanto, o herói transcende a recusa do chamado porque, em última análise, é impossível não aceitá-lo. Preferimos trabalhar com os desdobramentos das experiências com OVNIs, trilhar o caminho espiritual ou aceitar aquilo que se apresenta como um chamado pessoal quando percebemos que aceitar o chamado é menos doloroso do que as temidas ramificações do abandono do coletivo, da massa, ou de qualquer coisa que se deseje descrever como o modo de vida anterior. Paracelso disse que todos têm dois corpos, um composto pelos elementos e, o outro, pelas estrelas. Aceitar o Chamado da Aventura – seja na forma da “assimilação” do nosso contato com OVNIs ou na experiência de proximidade da morte ou de algum outro confronto com a realidade não comum – eqüivale a decidir habitar o nosso Corpo Estelar.

           

Isso nos leva à segunda – e, de certo modo, ainda mais difícil – fase de iniciação: viver no ambíguo “não-propriamente-aqui-não-propriamente-lá”. Desejo concentrar a minha atenção nessa transição entre estados de ser, pois creio tratar-se de um terreno fertilíssimo e de enorme potencial, mesmo que a maioria de nós tenda a viver a abertura e a receptividade como vazio e perda. Em seu ensaio clássico: “Betwixt and Between: The Liminal Period of Rites of Passage”, Victor Turner afirma que a principal função da transição entre estados é tornar o sujeito invisível. Para propósitos cerimoniais, o neófito – isto é, aquele que passa pela iniciação – é considerado estruturalmente “morto”, ou seja, não classificável à maneira antiga nem à nova, invisível: não visto.

           

No livro em que examina os detalhes de vários raptos praticados por OVNIs, Intruders, Budd Hopkins inclui uma enorme passagem de uma carta que recebeu de uma jovem de Minnesota que relatou ter sido raptada por alienígenas quando criança e depois de adulta. Como essa mulher descreve bem a crise existencial que os raptados sofrem, cito um grande trecho de sua correspondência:

 

“Para a maioria de nós, tudo começava com as lembranças. Embora alguns se recordassem de parte da experiência ou de toda a experiência, era mais comum que tivéssemos de fazer um esforço por encontrar essas lembranças – escondidas numa espécie de amnésia. Fazíamos isso, com freqüência, por meio da hipnose, que era, para muitos de nós, uma nova experiência. E que sentimentos confusos advinham quando lidávamos com essas lembranças! Quase sem exceção, ficávamos terrificados quando revivíamos esses eventos  traumáticos, com uma sensação de sermos esmagados sob o seu impacto. Mas havia também descrença. Isso não pode ser real. Devo estar sonhando. Isso não está acontecendo. E assim começava a vacilação e a dúvida com relação a nós mesmos, os períodos alternados de ceticismo e de crença, em nossa tentativa de incorporar nossas lembranças no nosso sentido do que somos e do que sabemos. Muitas vezes sentíamos que estávamos loucos; continuamos a nossa busca da explicação “real”. Tentávamos entender o que havia de errado conosco para que essas imagens subissem à superfície. Por que a minha mente faz isso comigo?

 

Essa mulher mostra que entende muito bem os sentimentos associados com o fato de se tornar “invisível” em virtude de relatar uma experiência que se desvia das possibilidades admitidas pela “realidade consensual”:

 

“E havia também o problema de falar com os outros sobre as nossas experiências. Muitos dos nossos amigos eram, naturalmente, céticos, e, embora nos magoasse o fato de não sermos compreendidos, o que poderíamos esperar? Também nós tínhamos os nossos momentos de ceticismo, ou talvez tivéssemos sido céticos no passado. As respostas que obtínhamos dos outros refletiam as nossas. As pessoas com quem falávamos acreditavam em nós… e duvidavam de nós, ficavam confusas e, como tínhamos feito, procuravam outras explicações. Muitas eram rígidas em sua negação, não admitindo a mínima possibilidade desses raptos e, fossem quais fossem as suas palavras, a mensagem pressuposta era clara: sei melhor do que você o que é e o que não é real. Sentíamo-nos num círculo vicioso que parecia imposto a nós, raptados, por uma sociedade cética:

                                  

Por que você acredita que foi raptado?

Porque você é louco.

Como sabemos que você é louco?

Porque você acredita que foi raptado.

 

… Aprendemos do modo mais difícil, por meio de tentativa e erro, em quem podíamos ou não confiar. Aprendemos a sutil diferença entre segredo e privacidade. Mas muitos de nós tiveram uma forte sensação de isolamento. Sentíamos a dor de sermos diferentes, como se apenas estivéssemos “passando” por normais.Alguns chegaram à difícil compreensão de que não havia ninguém com quem pudéssemos ser quem de fato éramos, o que era uma posição muito solitária para se ficar.”

 

Em resumo: muitos contatados e raptados por OVNIs, ao lado dos que tiveram uma experiência direta, imediata e inegável do Mysterium, do sagrado, sabem o que é ser invisível para aqueles que não receberam o mesmo chamado – ou que ainda recusam esse chamado. Essa ambivalência é especialmente pronunciada para quem voltou do limiar da morte. Tendo sido declarados clinicamente mortos e tendo flutuado na direção de um túnel povoado por seres de luz que acenavam, apenas para voltarem ao mundo dos vivos com um sentido inexplicavelmente radiante de ser e de objetivos, muitos iniciados em experiências de proximidade da morte contam que deixaram de se sentir humanos exatamente da mesma forma anterior à experiência. Essa ambivalência aumenta quando a família, os amigos e várias figuras de autoridade desdenham a experiência.

           

Ao falar informalmente com iniciados por OVNIs sobre essas idéias, percebi que eles em geral reconhecem os sentimentos do mundo marginal. É como se o neófito vislumbrasse algo tão profundo que certos “fatos da vida” anteriores à experiência deixam de ser os únicos verdadeiros. É comum que a pessoa sinta frustração porque os outros não vêem que as regras do jogo mudaram, ou que as velhas regras sempre foram uma de muitas maneiras de organização da percepção, em vez de imutáveis “leis da natureza”.

           

Na outra extremidade da frustração do viver à margem está a percepção disponível para quantos desejem entrar nela: o não ser capaz de se classificar também significa estar livre da necessidade de se apegar a uma única identidade. Viver nem aqui nem lá, no reino da incerteza e do não-saber, pode possibilitar novas percepções, novas maneiras de “construir a realidade”. Nesse sentido, a experiência com OVNIs serve de agente de desconstrução cultural, incitando-nos a destruir idéias fáceis acerca do hiato supostamente interminável entre a mente e a matéria, entre o espírito e o corpo, entre o masculino e o feminino, entre a natureza e a cultura e outras dicotomias familiares.

           

Viver na ambivalência da marginalidade pode ser considerado em termos de paraíso perdido ou de uma revigorante libertação da necessidade de manter um sentido unidimensional particular de paraíso intacto. Podemos lamentar a morte das fronteiras claras, do branco e do negro, do certo e do errado, do nós e do eles, assim como podemos entrar voluntariamente nos reinos marginais, liminares e indistintos do ser, descobrindo cara a cara os nossos demônios e anjos desconhecidos – encarando-os, se o desejarmos, com a mesma ferocidade com que eles nos encaram.

           

Em suma, o jogo pode ser considerado como uma escolha entre penetrar no paradoxo e nele viver, ou, como o diz o meu amigo Don Michael, “pousar com os dois pés apoiados firmemente no ar”. Muito pode ser dito sobre o lugar em que extremidades indistinguíveis apresentam não somente um desafio de restauração da ordem perdida como uma oportunidade de brincar na vasta perversidade polimorfa da Matriz Criadora; o espaço em que reside o Trapaceiro, meio Madre Teresa, meio Pee-wee Herman; em que, como no conto “João de Ferro”, dos irmãos Grimm, onde se descobre que o Selvagem seco e peludo descoberto no fundo do poço também tem uma ligação especial com o ouro. Caracteristicamente, sentimos um vazio ao percebermos quão irremediavelmente a nossa herança judeu-cristã negou o vínculo entre a selvageria sensual e afirmadora da vida e a experiência do sagrado.

           

Há também uma dimensão coletiva da marginalidade, como o torna claro a contínua percepção fronteiriça dos OVNIs a partir do final dos anos 40: gostemos ou não, nossa cultura, a cultura humana, também vive à margem, nas extremidades, no meio. Heidegger disse que vivemos numa época intermediária entre a morte dos velhos deuses e o nascimento dos novos, e Jung acreditava que os OVNIs eram um símbolo fundamental das “mudanças da constelação de dominantes psíquicos, dos arquétipos – ou ‘deuses’, como costumavam ser chamados -, que produzem, ou acompanham, transformações duradouras da psique coletiva”.

 

Mas, como vamos fundamentar, concretizar essas idéias? Começando pelo ponto em que estamos – aqui, aumentando a “rachadura do ovo cósmico”. Por definição, as transições são fluidas, entidades não definíveis com facilidade em termos estáticos ou estruturais; e é isso que acontece com as iniciações via OVNIs. Muitos que passaram por elas sentem ter deixado de existir. Na verdade, eles deixaram de existir no nível com que estavam familiarizados e com o qual se sentiam à vontade. Também a nossa cultura saiu do colo, do conforto e da segurança do dualismo newtoniano-cartesiano. “Nenhuma criatura pode alcançar um nível de natureza superior sem cessar de existir”, disse o filósofo Coomaraswami.

 

As pessoas que tiveram um contato imediato me dizem que foram forçadas a chegar a um acordo com a idéia de que o mundo não é tão simples quanto parecia enquanto elas cresciam com papai e mamãe por perto. Elas tiveram de perceber que o mundo está cheio de panoramas e abismos. De que modo a experiência com OVNIs faz isso? Não tenho certeza, mas suspeito que tem alguma relação com a revelação do segredo, a piada cósmica, com o fato de ter “visto tanto” que voltar a um mundo de pensamento atomístico newtoniano ingênuo deixou de ser uma opção honesta.

           

É possível que os OVNIs, a experiência de proximidade da morte, as aparições da Virgem Maria e outros modernos contatos visionários xamânicos são tanto um estímulo para o nosso próximo nível de consciência quanto o são as premências sexuais em rápido desabrochar para a passagem do adolescente da infância para a idade adulta. Ambos os tipos de processo representam a morte de um estado de ser ingênuo precedente. O privilégio de ser jovem – uma pessoa jovem, um planeta jovem, uma alma jovem – é acreditar que podemos ficar eternamente inocentes. Mas uma vez que o limiar do domínio marginal – nem aqui nem lá – do ser, seja cruzado, só podemos evitar morrer para as identidades precedentes seguindo o caminho do falso ser, a vida de negação.

           

Parece perfeitamente apropriado, a meu ver, o fato de os OVNIs terem confundido a ciência, os acadêmicos e as comissões governamentais de investigação. A própria perturbação dos nossos sinais cognitivos deve ser considerada, se optarmos por isso, uma maravilhosa oportunidade para parar de montar Humpty Dumpty outra vez começando, em vez disso, a eliminar o ruído dos circuitos de comunicação, as distorções advindas da consciência individualizada, limitada, orientada para o ego, que se toma erroneamente pelo todo. Permitir que o ovo cósmico permaneça quebrado liberta-nos para que comecemos a fugir do lixo da cultura profana, de um modo de vida baseado na negação de um relacionamento simbiótico com Gaia, a Terra, cujo contínuo fluxo de comunicação fingimos não perceber, graças ao estado alterado de consciência especial que chamamos de inteligência racional.

           

Acredito que não há muito a ganhar em esperarmos por uma “solução” abstrata para o “problema” dos OVNIs, como se uma solução dessas pudesse algum dia ser separada ou separável do nosso próprio esforço de saber. Afastamo-nos muito daquilo a que tínhamos direito ao nascer – a presença sentida do mysterium tremendum, o mistério do ser que nos faz estremecer – e somente nós mesmos podemos dar uma reviravolta nisso. Terence McKenna o formula da seguinte maneira: “A gnose é o conhecimento privilegiado transmitido ao corajoso.” Poderemos reunir a coragem para receber o verdadeiro conhecimento?

           

Joseph Campbell refere-se a quem sai da realidade comum e entra em contato com prodígios sobrenaturais – e que depois retorna a essa realidade – como o Senhor de Dois Mundos. Livre para cruzar em todas as direções as divisões entre os domínios, do tempo para a intemporalidade, das superfícies para as profundezas causais e destas àquelas, o Senhor conhece ambas as realidades e não se instala exclusivamente em nenhuma delas. Diz Campbell:

                       

O discípulo foi abençoado pela visão que transcende o alcance do destino humano normal, equivalente a um vislumbre da natureza essencial do cosmos. Não o seu destino pessoal, mas o da humanidade, da vida como um todo, do átomo de todos os sistemas solares, foi posto diante dos seus olhos; e em termos passíveis de apreensão humana, isto é, em termos de uma visão antropomórfica: o Homem Cósmico. [Página 229 da edição brasileira.]

           

 Observe-se a insistência de Campbell no fato de que a visão transformadora é revelada “em termos passíveis de compreensão humana”. Entre outras coisas, isso nos acautela da enorme inflação do ego que costuma acompanhar a experiência com OVNIs, especialmente quando está envolvida a canalização. Precisamente porque a visão de OVNIs parece absurda para a consciência comum, não-iniciada, a experiência (e a pessoa que por ela passou) vai ser ridicularizada pelo coletivo. Com sentimentos de rejeição como o insulto acrescentado à injúria da experiência com OVNIs, que abala a realidade, o iniciado pelos OVNIs é tentado a compensar a sensação de ser inferior ao comum fingindo ser fora do comum, por vezes assumindo o papel de profeta cósmico que vislumbrou o novo horizonte cósmico.

 

Todos os que tiverem tido experiências extraordinárias devem estar alertas para essa tendência. Devemos ter em mente que ser invisível para a cultura como um todo pode ser tanto uma bênção como uma maldição – que ser desconsiderado, ignorado e desvalorizado pode ser o impulso para que se tome uma outra rota: o caminho da calma, a trilha suave, firme, que fica nos bastidores. Trata-se do caminho invisível de aquisição do conhecimento, a trilha lenta da alquimia. O trabalho da alma requer tempo. Isso significa que devemos intencionalmente reservar tempo, especialmente em nossa cultura secular extrovertida, cada vez mais hiperativa. A pergunta que devemos formular, envolvidos como estamos na exploração de fenômenos extraordinários desvalorizados pela consciência corriqueira, refere-se a saber se o ônus de ser desconsiderado por não-iniciados é de fato maior do que o de tentar convencê-los de que tivemos uma experiência que, ao menos por implicação, nos faz um tanto “especiais”.

           

Prefiro o primeiro caminho, por causa do sentido de libertação da necessidade de saber o que é a realidade que ele dá. Porque, na medida em que é uma “sacudidela” nos velhos hábitos, uma experiência com OVNIs também oferece uma oportunidade de florescimento fora dos domínios aceitos de classificação da nossa cultura, fazer perguntas sobre coisas que antes tínhamos por certo e alcançar a perspectiva de uma transição ainda mais ampla do que a nossa transição pessoal: a passagem para um novo modo de ser para a humanidade.

           

Posso dizer que tive a sorte de encontrar uns quantos iniciados por OVNIs que, tal como aqueles que penetraram no mistério do sagrado por outros caminhos, se tornaram Senhores de Dois Mundos precisamente porque transcenderam a ilusão de que a sua experiência, positiva ou negativa, lhes pertence ou ocorreu com eles pessoalmente. Whitley Streiber, que na verdade tomou a sua experiência como algo pessoal, admite, num ponto de Communion, que, quando perguntou aos seus captores do OVNI “Por que eu?”, eles responderam: “Porque a luz estava acesa -nós vimos a luz.”

           

Numa atitude que constitui um golpe para o seu ego, Whitley é informado de que eles foram até onde ele estava não para ungi-lo como avatar da Nova Era, nem sequer para levá-lo a escrever um relato pessoal campeão de vendas sobre as suas experiências, mas porque ele tinha deixado a luz acesa na sala de estar! Mais uma vez, uma maravilhosa oportunidade de aproveitar ao máximo a própria invisibilidade, de permitir que o contato com o OVNI libere novos níveis de identificação do ego, limitações pessoais e temores. “Suas ambições pessoais estão dissolvidas”, escreve Campbell, “razão pela qual ele já não tenta viver, mas simplesmente relaxa diante de tudo o que venha a se passar nele; ele se torna, por assim dizer, um anônimo.”

           

Como a pessoa vai viver “anonimamente” no mundo, com o segredo do conhecimento extraordinário tão ao seu alcance? Ouçamos as palavras do erudito religioso Shankaracharya sobre isso:

                       

Por vezes um tolo, por vezes um sábio, por vezes coberto de régio esplendor; por vezes vagando, por vezes imóvel como um píton, por vezes exibindo uma expressão benigna; por vezes honrado, por vezes insultado, por vezes desconhecido – assim vive o homem realizado, eternamente feliz com a bênção suprema. Assim como um ator é sempre um homem, ponha o traje do seu papel ou o retire, assim também é o perfeito conhecedor do Imperecível sempre Imperecível, e nada mais.

 ***

 Adaptado de uma apresentação feita em julho de 1987 na Oitava Conferência de Rocky Mountain sobre Investigações de OVNIs, realizada em Laramie, Wyoming. Essa conferência anual é conhecida informalmente, nos círculos de ufólogos, como “a Conferência dos Contactados”. O promotor, o dr. Leo Sprinkle, procura oferecer um “lugar seguro” onde pessoas que passaram pelo que consideram ser uma “experiência com OVNIs” e investigadores desses eventos possam reunir-se para explorar as dimensões experienciais de um fenômeno perturbador.

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A hipótese do antropólogo Jeremy Narby

Março 18, 2009 at 10:56 pm (Swoboda)

Jeremy Narby, PhD, é um antropólogo franco-canadense que trabalha na Suíça para a Nouvelle Planet, uma organização “non-profit”. Narby formou-se na Universidade de Canterbury e recebeu o seu PhD em antropologia na Universidade de Stanford. Por dois anos, viveu na Amazônia Peruana estudando os índios Ashaninka e os seus métodos de emprego dos recursos da floresta. Volta e meia ele retorna às suas pesquisas na Floresta Amazônica Peruana. Jeremy Narby escreveu dois livros. No primeiro, The Cosmic Serpents and the Origins of Kownledge, o antropólogo foi obrigado a estudar biologia para dar corpo a uma hipótese revolucionária que lhe ocorreu, sobre o papel desenvolvido pelo DNA na origem da vida e da sua evolução no planeta Terra. Recebeu o auxílio de vários biólogos importantes dentre eles: Lynn Margulis e Dorion Sagan que assim se manifestaram sobre o livro de Narby: “The Cosmic Serpents oferece conexões intrigantes para o conhecimento de uma estrada muito pouco trafegada – aquela que os índios usam através do uso de alucinógenos – e de como esta estrada pode se conectar, no futuro, com a biologia molecular”. Dorion Sagan e Lynn Margulis autores de: What is life?

“Iniciei a minha investigação na Amazônia Peruana com o enigma da “comunicação das plantas”. Aceitei a idéia de que as alucinações dos shamans poderiam se tornar numa fonte de informação verificável. Terminei com a hipótese que sugere que a mente humana pode se comunicar, em consciência desfocalizada com a rede global da vida baseada no DNA. Tudo isto contradiz os princípios do conhecimento ocidental”. (pág. 131)

Jeremy Narby confessa, como muitos outros, de que foi influenciado por Carlos Castañeda quem a maioria global desconhece que nasceu no Brasil, na cidade de Juqueri, no interior de São Paulo. Carlos Aranha Castañeda, o seu nome real, de conformidade com uma das suas últimas entrevistas, feita com uma jornalista espanhola e que se tornou em um livro (edição esgotada).

A hipótese de Narby é testável, diz ele. “O teste consistiria em saber se biólogos institucionalmente respeitados poderiam encontrar informação biomolecular no mundo dos alucinógenos dos auahuasqueiros. Embora esta hipótese seja correntemente rejeitada pela biologia institucional, porque infringe as pressuposições da disciplina. A biologia tem uma cegueira de origem histórica”. (pág. 132).


Qual seria esta hipótese?

O antropólogo afirma que ela sugere que o que é chamado de essências animadas pelos shamans que com elas dizem se comunicar e de onde recebem informações preciosas e úteis, é o DNA, que anima todas as formas vivas. Infelizmente, a biologia moderna está fundamentada na noção de que a natureza não é animada por uma inteligência e que, portanto, o histórico desta questão nasceu com a tradição materialista estabelecida pelos naturalistas dos séculos 18 e 19. Esta foi a época, inclusive, onde questionar os ditames da bíblia se tornava em heresia e em pesadas sanções.

Corajosamente, Linneus, Lamarck, Darwin e Wallace afrontaram este estado de coisas concluindo que as diferentes espécies evoluíram ao longo do tempo e que não tinham sido criadas no Jardim do Éden em formas pré-fixadas há milhões de anos.Com a teoria da origem das espécies, Darwin e Wallace tiraram Deus do seu jardim e proporcionaram a grande chance aos biólogos para estudar a natureza e ignorarem um plano divino para ele.

Por um século a teoria da evolução foi contestada, vitalistas, como Bergson, rejeitaram todo este materialismo, argumentando que lhe faltava a explicação de um mecanismo capaz de desvendar o segredo de como se originaram todas as variações.No ano de 1950, com a descoberta do DNA, a teoria de Darwin se firmou no meio acadêmico. O DNA demonstrava a materialidade da hereditariedade e se encarnava no mecanismo exigido por Bérgson.

A molécula do DNA é auto-duplicante e transmite informações para as proteínas, os biólogos então concluíram que esta informação não poderia fluir de volta das proteínas para o DNA; em vista disto, a variação genética poderia advir somente de erros no processo de duplicação. Sir Francis Crick, um dos co-descobridores da estrutura do DNA batizou esta descoberta de dogma central da novel disciplina denominada – biologia molecular: “A chance é somente a verdadeira fonte da inovação”, disse ele. A filosofia materialista, desde então, cobrou novo ímpeto. A vida passou a ser um fenômeno material.

“O último objetivo do movimento moderno na biologia é explicar toda a biologia nos termos da física e da química”. Sir Francis Crick (grifo original do autor).

“Os processos que ocorrem nos seres vivos vistos ao microscópio no nível das moléculas, são de modo algum diferentes daqueles analisados pela física e química nos sistemas inertes”. François Jacob –Prêmio Nobel – biólogo molecular.


A Chance e a Necessidade

Jacques Monod – Prêmio Nobel – e também biólogo molecular expressou no seu livro cujo título abre este texto, que a chance e somente ela, seria a fonte da inovação na natureza. Os biólogos se ufanaram com a idéia de que haviam descoberto a verdade ou seu dogma como intitularam. Mas a tão famosa e decantada chance sobreveio com ares de furacão balançando todo este ufanismo com a descoberta do código genético em 1960.

O antropólogo Jeremy Narby, enfronhando-se na biologia profundamente para dar corpo à idéia que lhe assaltava a mente, assustou-se com a semelhança extrema entre o DNA e toda a sua maquinaria celular, a uma tremenda e sofisticada tecnologia de origem cósmica!…

“Mas à medida que eu estudava atentamente as milhares de páginas contidas nos textos da biologia, descobria um mundo em tudo semelhante à ciência ficção e que parecia confirmar a minha hipótese”. Narby (pág. 135).


O Mundo da Ficção Científica na Biologia Molecular

São proteínas e enzimas descritas como “robots miniatura” , ribosomas surgem como verdadeiros computadores moleculares, as células são descritas como fábricas e o próprio DNA: “texto”, “programa”, “linguagem” ou “data” (informação). Mesmo diante de todo este cenário estupefaciente e muito excitante, diz Narby – “muitos autores demonstram uma falta total de deslumbramento e parecem considerar que a vida é meramente um fenômeno fisioquímico”.

Jeremy Narby detalhou minimamente todo este mundo maravilhoso que nem mesmo sendo tão estupefaciente, consegue emocionar a maioria daqueles que nele e dele vivem cotidianamente! A mais incrível das descobertas que o antropólogo fez, foi a de que os shamans da Amazônia Peruana, com as suas metáforas descritivas daquilo que as simples palavras não conseguem exprimir a contento, a seu modo, se correlacionavam com a linguagem científica descritiva do DNA, com as suas metáforas antropocêntricas e tecnológicas. Lendo os textos da biologia e meditando sobre toda esta semelhança, Narby concluiu que: “Constantemente, eu imaginava como a natureza pode ser destituída de intenção se ela corresponde verdadeiramente às descrições que os biólogos fazem a seu respeito”. Narby (pág. 137).


A Dança dos Cromossomos

“Basta-nos, apenas, considerarmos a dança dos cromossomos para observarmos que o DNA se move num caminho deliberado. É como se dançassem uma “pavana”. Depois de explicar toda a coreografia desta pavana, Narvy pergunta: “Esta assombrosa e imponente pavana ocorreria sem alguma forma de intenção? Na biologia esta questão, simplesmente, jamais foi formulada”.

Esta questão pode ter, também, ligações com o que Narby denomina de olhar racional ou aproximação racional, que “tende a minimizar aquilo que não se compreende”. Diz o antropólogo que o melhor dos campos de treinamento para esta arte muito conveniente, é a sua profissão: a antropologia. E explica o porque. “Os primeiros antropólogos consideravam a todos aqueles que viviam na periferia do mundo dito “civilizado e racional” de primitivos e pertencentes a sociedades inferiores. Os shamans foram categorizados como doentes mentais. A aproximação ou olhar racional é o resultado da idéia de que tudo o que é inexplicável e misteriosos é, em um determinado senso, o inimigo. Isto significa que se prefere o pejorativo, e mesmo o erro, a responder demonstrando a ausência de compreensão”.(pág. 139).

 
A Ciência Cow-boy

A ciência “cow-boy” primeiro atira e depois… PERGUNTA. Um perfeito exemplo dela diz respeito ao que se nomeou de “junk” DNA. 97% do DNA no nosso corpo foi denominado, por pura ignorância do que poderia chamar de: “lixo” (junk). Recentemente, hipóteses sugerem que o junk pode desempenhar determinadas funções. Isto define o apelido de ciência cow-boy que não é tão objetiva o quanto faz parecer que é! Reclama Narby e conclui: “Aprendi durante a minha investigação: vemos somente aquilo no acreditamos, e para mudarmos a nossa visão, torna-se necessário, algumas vezes, mudarmos aquilo no que acreditamos”. (pág. 140).

 
A Hipótese

Para fazer compreender bem a hipótese
de Jeremy Narby, tivemos que desenrolar a ponta do novelo para que se pudesse assimilar algumas das elucubrações feitas pelo antropólogo durante a sua caminhada. O novelo lhe foi entregue quando pesquisava a mitologia dos ashininka peruanos. A constância da imagem de uma serpente ou de serpentes quilométricas, enroladas e desenroladas de dupla hélice, doadoras da vida e do conhecimento total a respeito de tudo, as pinturas feitas pelos shamans novamente mostrando as duplas hélices, escadas, trepadeiras, imagens que copiavam fielmente a forma dos cromossomos em fases específicas, formas idênticas as do DNA e a sua descrição tão fiel que tudo parecia ter saído de um livro de biologia, mas saíra, na verdade, dos lábios e dos pincéis de personagens que sempre foram descritos pela antropologia como sendo doentes mentais…

Narby fez um teste: mostrou ilustrações coloridas e quadros muito detalhados feitos pelos índios peruanos e shamans daquela e de outras plagas do planeta, para um amigo seu, versado em biologia. O amigo se espantou sobremaneira: “olhe, aqui está o colágeno… e alí são as hélices triplas… e acolá o DNA afar (de longa distância) semelhante a um fio telefônico… isto se parece com cromossomos em fase específica… há uma forma do DNA espalhado e junto os cilindros (spools) de DNA na sua estrutura de nucleosomo”. Suren Erckman – 1994.

Narby estava chocado! Havia descoberto que os simples mitos dos shamans peruanos e de todo o mundo, relacionavam-se, perfeitamente, com um conhecimento real descoberto nos laboratórios!Neste ponto o Gênesis até que tinha razão, pensou Narby. E no princípio era o “VERBO”: Verbo? Linguagem? DNA?


Origem da Vida

Não pretendo atacar a fé de mingúem, mas demarcar a cegueira do olhar racional e fragmentado da biologia contemporânea e explicar porque a minha hipótese está condenada, antecipadamente, a permanecer trancada dentro desta cegueira. Resumindo: minha hipótese está baseada na idéia de que o DNA em particular e a natureza em geral possuem um tipo específico de mente. Isto contradiz o princípio básico da biologia molecular, ou seja, a ortodoxia corrente”. (pág. 145).

Bibliografia:

- The Cosmic Serpent – Jeremy Narby – ed. Penguin Pretnam Inc.

 

Texto extraído do site: http://www.jornalinfinito.com.br/series.asp?cod=103

Link Permanente 3 Comentários

Feng Shui Interior

Janeiro 17, 2009 at 5:26 pm (Dany3l)

Repostando um texto muito bom que foi exibido na comunidade “Ayahusca sem dogmas”
Link – http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=122395&tid=2589879796492088120&start=1

Não consegui achar a fonte original, pois a pessoa que postou na comunidade recebeu o texto por e-mail.
Quem souber a origem, por favor poste nos comentários
Obrigado

meditation_feng_shui2

Feng Shui Interior

” A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da desorganização. A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível. A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades. De acordo com o Feng Shui Interior – uma corrente do Feng Shui que mistura aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes – bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relacionamentos.

Faça uma experiência:
Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida. Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas energias. Conheça ações para evitar a “crise energética pessoal”.

1.  Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo – (Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano). A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

2.  Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles.
Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas

3.  Sentimentos tóxicos – Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade, é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpas também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energias e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

4.  Fugir do presente – As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas que se apegam às lembranças do passado, quanto àqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5.  Falta de perdão – Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagens interior carregamos e gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica “energeticamente obeso”, carregando fardos passados.

6. Mentira pessoal – Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7. Viver a vida do outro – Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8. Bagunça e projetos inacabados – A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. Na medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!”. Isso gasta uma energia tremenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude.O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9. Afastamento da natureza – A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.
Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d’água para acalmar o ambiente são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia. Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas, tais como: falha de memória (o famoso “branco”), cansaço físico, sono deixa de ser reparador; ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas. Para economizar energia – o crescimento pessoal, a prosperidade e a satisfação – diminuem, os talentos não se manifestam mais por falta de energia, o magnetismo pessoal desaparece, medo constante de que o outro o prejudique, aumentando a competição, o individualismo e a agressividade, falta proteção contra as energias negativas e aumenta o risco de sofrer com o “vampiro energético”.

Certas atitudes jogam nossa energia pessoal no lixo.”

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Fenômeno UFO, por Jacques Vallée

Dezembro 20, 2008 at 4:17 pm (Swoboda)

“O fenômeno UFO genuíno, é associado com uma forma de consciência inumana que manipula o “espaço-tempo” de uma forma que não compreendemos… Esta é a verdade mais simples: se existe uma forma de vida e consciência que opera as propriedades do “espaço-tempo”, nós ainda não a descobrimos e ela não deve ser, necessariamente, extraterrestre. Pode ser proveniente de qualquer lugar ou tempo, até mesmo do nosso próprio ambiente. Certamente, pode também ser proveniente de um outro sistema solar na nossa galáxia, ou de outra galáxia. Pode também, coexistir conosco e nós não a percebemos. As entidades podem ser multidimensionais além do próprio espaço-tempo. Elas podem mesmo ser uma espécie de seres fracionados. A terra pode ser o seu lugar de origem.” (grifo do autor: Revelations – J. Vallee – pág. 259 – Ed. Ballantine Book).

 

Em uma trilogia: “Dimensions, Confrontations e Revelations” (sem tradução) o cientista e ufólogo Jacques Vallee relata (e adverte) à humanidade realidades que ela desconhece e que estão contidas da pesquisa ufológica. Jacques Vallee é astrofísico e Ph.D em “computer sciences” pela Northwestern University (1967).

Vallee era associado com o Dr. J. Allen Hynek, já falecido, ilustre e famoso pesquisador científico, figura de proa na pesquisa ufológica internacional. Vallee foi o “MODELO” do cientista francês encarnado pelo ator François Truffaut no filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” – produzido por Steven Spielberg. Jacques Vallee é francês.

- Posterei a seguir trechos de entrevistas, onde Jacques vallé expõe suas idéias singulares sobre o fenômeno UFO.


Aos 15/04/1995, James Mosely publicou “Sauce Smear” uma carta de Jacques Vallee que dizia, entre outras coisas,: -”Minha decisão de deixar o campo ufológico é consistente com a observação de que otrabalho científico construtivo e sério, é impossível nas condições presentes. Nos últimos anos a ufologia malbaratou perto de um milhão de dólares… em trabalhos absurdos e não científicos centrados na “pesquisa” de abduções, no fiasco de Roswell… e em várias investigações do tipo Roswell e Gulf Breeze. Não posso permanecer associado a nada disto, portanto, é o tempo de me retirar silenciosamente.” – Jacques Vallee.

A explicação dada pelo seu editor é a de que Vallee, somente, deseja colocar distância entre ele e o sensacionalismo que invadiu e não quer deixar esta área. Agora, ano de 2002, ainda presenciamos os mesmos espetáculos que desgostaram Jacques Vallee. Os casos que continuam em pauta já foram explicados muitas vezes, pelos seus próprios promulgadores, os falsificadores foram desmascarados, alguns deles em público, como Bill Moore o fez com prejuízo próprio… mas ninguém abandonou a arena, tudo tinha e tem que ser da forma como acreditam e querem que seja. O marasmo tomou conta da ufologia!

“Vallee não deseja associar-se com estes chamados questionários sobre as abduções alienígenas e mutilações do gado”, diz Richard Grossing em 30/04/1997.

“Tendo sido responsável, através da sua obra, por elevar o nível da ufologia como digno de um sério estudo científico, será muito desanimador se a comunidade séria dos investigadores de UFOS ficar privada, não só de uma das poucas vozes remanescentes da razão nesta área, mas também do deão dos ufólogos.” J. R.

Atualmente – (Entrevista)

“As pessoas julgaram que eu tenha me retirado, para subir ao topo de uma montanha e filosofar. A razão pela qual abandonei a cena da ufologia, é a de que eu queria trabalhar na investigação de UFOS e estava cansado de comparecer a congressos e encontros onde só se falavam nas mesmas coisas. O que acontecia era somente, muita falação. Penso que o caminho do conhecimento nesta área, não é o de se dialogar uns com os outros e sim o de dialogar com as testemunhas. Isto é o que eu quero fazer e o farei em primeiro lugar. Eu desejo ser capaz de ir ao local, encontrar-me com as testemunhas e monitorar o que aconteceu dentro de um certo período de tempo. Portanto, a minha maior prioridade é os casos de primeira mão que não foram publicados ou comunicados aos grupos ufológicos, porque, no momento o qual eles se tornam parte de muita discussão, ficam polarizados. Quero produzir pesquisas a longo tempo. Em dez anos, acumulei cerca de 200 destes casos. Meu livro (Confrontations) é realmente um sumário dos casos mais interessantes.”

Como você contatou estes casos?

“Através de pessoas que me escreveram, presentes às minhas palestras, ou leitores dos meus livros. Recebo várias cartas, diariamente, desde que DIMENSIONS foi publicado, há um ano. Pego as mais interessantes, constantemente, são mandadas por pessoas que ocupam posições importantes, como a de um vice-presidente da IBM. A última coisa que ele deseja fazer é encaminhar-se a uma organização ufológica. Não quer a mínima das publicidades. Não deseja ver seu nome em nenhum livro, mas teve um “avistamento” que é muito válido.”

A quais conclusões a sua pesquisa o levou?

“Sinto que posso comparecer a um comitê de cientistas e convencê-los de que existe uma evidência avassaladora de que o fenômeno UFO existe e é um irreconhecido e inexplicado fenômeno para a ciência, mas o que sinto posso provar.

Minha convicção pessoal é a de que este fenômeno resulta de uma inteligência e que esta inteligência é capaz de manipular o “espaço-tempo” de um modo incompreensível para nós. Posso convencer um comitê, das minhas observações atentas de que o fenômeno é real, é físico e que não o compreendemos. Só não posso convencê-los de que as minhas especulações são corretas, talvez existam outras especulações. A conclusão essencial: minha tendência é a de que a origem do fenômeno e da inteligência não são, necessariamente, extraterrestres.

Você diz que encara uma interpretação multidimensional que não especifica a existência de humanóides de outros planetas aterrissando aqui fisicamente? Parece-nos que, algumas vezes, você fala sobre o fenômeno como sendo um tipo de sentimento religioso jorrando do espírito humano. Outras vezes, fala como se houvesse uma força potencialmente maléfica que é imposta de fora como um sistema de controle.

“Penso que é uma oportunidade de se aprender alguma coisa muito fundamental sobre o universo, porque, não existe apenas o fenômeno ou tecnologia capazes de manipular o espaço-tempo de formas que não entendemos, esta força está manipulando a ambientação psíquica da testemunha. Tentei introduzir esta idéia quando escrevi “Le College Invisible”. Nesta época, a comunidade ufológica não estava madura para isto. A New Age e a parapsicologia e suas comunidades, interpretaram as minhas conclusões crendo que eu me referia aos DEVAS do mundo dos sonhos, que não são físicos, ou de que o aspecto físico não era importante, Na verdade, penso que estamos lidando com algo que é ao mesmo tempo, tecnológico e psíquico, e parece possuir a capacidade de manipular outras dimensões.”

“O que eu disse não é pensamento irreal nem especulação pessoal, da minha parte. É a conclusão de entrevistas feitas com testemunhas muito críticas, escutando o que elas tinham a me dizer. E o que tinham a dizer não era que haviam visto uma nave espacial descendo dos céus e depois retornando a ele. Na maioria das vezes reportavam que haviam visto algo aparecer instantaneamente, tomar uma forma física, às vezes trocando a forma e desaparecer, algumas vezes mais depressa do que num piscar de olhos. Em uma ocasião, este algo desapareceu num local fechado, começando a ficar transparente e depois desvanecendo ou se concentrando apenas em um ponto. Um exemplo comum quando me relatam estes fatos é o efeito de quem desliga a TV e a imagem dá um “zoom” transformando-se num simples ponto.”

“Não tenho uma resposta plausível para a questão de porque a tecnologia parece acontecer e usar a forma de imagens que se encontram no nosso próprio inconsciente. Estaria brincando se dissesse que compreendo. Há casos de observações repetidas onde o fenômeno se inicia amorfo e depois começa a preencher as expectativas das testemunhas. Há duas maneiras de se interagir intelectualmente com isto. Uma delas é dizer que este é um fenômeno cerebral, é muito bom reconhecer imagens em coisas amorfas como nuvens e manchas de tinta. Portanto, as testemunhas talvez, estejam sendo usadas por este fenômeno e estão começando a ler coisas dentro dele. Esta não é a explicação. Pode ser que o fenômeno esteja usando as nossas reações a ele, de forma a se tornar em alguma coisa esperada ou compreendida por nós. Nós podemos estar carregando a matriz das imagens e algo as retira de nós. Um bom exemplo é o de Fátima. As aparições testemunhadas em Fátima não se iniciaram em 1917. Começaram a surgir dois anos antes. Algumas daquelas crianças envolvidas no evento de Fátima, pois havia outras crianças, de início viram um globo de luz com um tipo de ser dentro. Então, começaram a chamar o ser de Anjo, e o Anjo dialogou com elas e lhes forneceu uma prece. O caso se desenvolveu em estágios e culminou em 1917, mas até mesmo a Virgem Maria não foi vista por nenhum dos presentes ao evento.”

“Nos casos contemporâneos de UFOS, você tem também objetos que são vistos por parte da multidão, mas a outra parte não os percebe. Estava em um programa de rádio, cerca de um ano atrás, e alguém me telefonou de Sacramento e me forneceu, exatamente, este tipo de reportagem. A pessoa estava à beira de um lago com a sua família e testemunhou um objeto que se dirigia para o lago e as pessoas que estavam com ela também o viram. Haviam pessoas junto ao lago também, mas estas pessoas não viram coisa alguma. O que estaria lidando com este evento é um fenômeno interessante que possui dois aspectos: um psíquico e um físico.”

O que é interessante é que as pessoas observaram o objeto, viram o mesmo objeto ou não viram? Ou isto pode variar?

“Usualmente, há um consenso nos aspectos maiores dos parâmetros físicos do fenômeno, mas as pessoas podem discordar, por exemplo, quando há inteiração com as entidades. Pessoas podem percebê-las de formas diferentes.”

Depois que você vê alguma coisa como esta você imagina o consenso de processo interativo, Você começa a combinar os fatos entre si.

“Mas há um aspecto social e muito lógico nisto também, que pode ser muito mágico ou enganoso. Penso que é importante explica-lo para que as pessoas estejam alertas quanto a isto, especialmente, desde a publicação de Communion. Há um grande marketing detrás de Communion, que fez muito sucesso. Verdade, é um livro poderoso, mas Communion também tocou as pessoas que jamais o leram, porque o livro tem uma capa poderosa. O rosto da capa tornou-se no modelo da nossa sociedade de como os alienígenas deveriam ser. Este modelo atingiu um tal ponto que, quando uma testemunha não descreve algo de semelhante, algo que, pelo menos, lembre o rosto que está estampado na capa de Communion, ela é rejeitada como farsante. Os ufólogos não aceitam as pessoas que descrevem visões que se afastam deste modelo. Então, estes casos são postos de lado e não fazem parte das datas bases. Assim, a análise científica tende a recuperar mais e mais padrões que correspondem a estes padrões que esperamos, em primeira instancia. Há uma profecia envolvida, o que é muito mágico e enganador.”

Você encontrou nos casos que estudou desde que Communion foi impresso, de que uma grande maioria de pessoas está encontrando este tipo de ser?

“Sim, mas recentemente estive estudando outros casos nos quais os seres são radicalmente diferentes. Novamente, uso a palavra “seres” como citação, na verdade, não sei o que eles são.

Com a chegada do milênio, espero ver o fenômeno noticiado de uma forma que exceda tudo o que já vivemos até agora, pela razão de que o povo espera por mudanças e esta expectativa, por si própria, é o campo fértil para que estas mudanças ocorram.

“Penso que o modo de estudarmos os UFOS nos acarretou problemas, nós misturamos todos os níveis envolvidos no fenômeno. Misturamos o nível físico, o psicológico e o mitológico ou social. Desejo identificar, claramente, estes três níveis porque necessitamos de um tipo de mitologia diferente, para lidarmos com cada nível e com cada grupo de eventos. No nível físico tudo o que sabemos, é de que há objetos físicos, materiais, pelo menos uma parte do tempo. Deixam rastros; interagem com o ambiente, expelem fumaça e acendem luzes e, provavelmente, pulsam, microondas de maneiras muito importantes. Eles contêm uma grande potência energética. Coloquei alguns cálculos de energia no livro CONFRONTATIONS.”

“Penso que fiz um grande progresso nos últimos anos, na compreensão dos níveis psicológicos e fisiológicos. Há alguns padrões, muito claros, que variam de queimaduras a conjuntivites. Às vezes ocorre a cegueira temporária. Outras vezes as testemunhas reportam uma forma de paralisia, onde perdem o controle dos seus músculos durante o tempo o qual o objeto esteve presente. Penso que nisto há implicações médicas muito interessantes. As testemunhas, na sua maioria, se desorientam. Em CONFRONTATION, cito um caso que investiguei, onde as pessoas pensavam estarem dirigindo na direção norte quando estavam dirigindo para o sul. Esta confusão do espaço – tempo, na maioria das vezes, contribui para que os cientistas avaliem que estas pessoas não são dignas de atenção e não são confiáveis. Não sabemos muito a respeito do efeito da pulsação do microondas no cérebro humano. Um destes efeitos pode ser o de alucinações. Você pode, finalmente, encontrar testemunhas contando-lhe estórias inacreditáveis, porque submetidas a estranhos efeitos psicológicos colaterais de algo que, realmente, estava ali. Não penso que a maioria da comunidade ufológica está apta para lidar com isto, Também não penso que a comunidade científica também possa. Entretanto, há o terceiro nível, o mitológico e o sociológico. Neste nível, a realidade física do UFO verdadeiro, é totalmente irrelevante. Provar que Jesus Cristo jamais existiu, jamais ocasionará um mínimo efeito na nossa sociedade em termos de sistema de crenças; neste ponto, a influência de Jesus permanecerá, mesmo sem o Jesus histórico.”

Porque você decidiu concentrar-se no estudo de tantos casos? Temos milhares de estudos de casos. Qual a vantagem de se acrescentar a eles um milhão a mais?

“Penso que esta é uma pergunta justificável. Número um, eu não publiquei todos os estudos dos casos. Só publiquei os selecionados, os que ilustram certos pontos. O que desejo fazer é iniciar, gradualmente, desde o lado físico, enfocando os casos que envolvem rastros físicos. O que desejo fazer é voltar aos básicos, processá-los passo a passo, e descobrir o que sabemos sobre o fenômeno. Para realizar isto, concentrei-me nos casos que todo o cientista refuta. O primeiro deles, no corpo do livro, é o caso no qual existiam dois submarinos franceses ancorados na baía da Martinica. Um dos submarinos e todos os seus marinheiros e oficiais, viram um objeto que se colocou sobre a baía e executou três grandes acrobacias, desvaneceu-se e reapareceu cinco minutos depois. E repetiu a mesma coisa. Havia cerca de duzentas e cinqüenta testemunhas. Mantive muitas conversas em particular com uma delas, o homem do leme do submarino francês, o mais veloz do Mediterrâneo. Ele era alguém que possuía um golpe de vista muito bom e era, também, ótimo observador. Não somente ele viu o objeto, quanto teve o tempo necessário para ir à torre e voltar com seis pares de binóculos, que deu aos seus amigos oficiais. Todos eles observaram a coisa através dos binóculos. Havia também, um observatório metereológico no morro que se sobrepõe a baía, e todos os que estavam no observatório viram o evento. Você não pode afirmar que não aconteceu. Você não pode afirmar que era um meteoro ou um cometa ou qualquer coisa no gênero. Estou tentando usar casos, como este, para estabelecer a realidade física do fenômeno e partir dali.”

“Também selecionei casos onde fui ao local, esperando encontrar algo que seria fácil rejeitar, apenas, para encontrar um jogo de circunstâncias completo que hoje, levaram-me à conclusão de que os eventos foram realmente ufológicos. Incluí, também, os caos nos quais esperava por evidências apontando para um UFO real e encontrei, ao invés disto, uma explicação trivial. Finalmente, há caos que, francamente, não compreendo o que aconteceu.”

Parece-me que você está criando sua própria maneira de filtrar o mecanismo – selecionando estes casos para estudar, porque seguem padrões, enquanto descarta os que merecem análise irrelevante.

“Deixe-me explicar o que fiz. Os casos selecionados foram escolhidos, não porque dizem alguma coisa sobre UFOS, mas porque dizem algo específico a respeito de metodologia. A questão que estava tentando responder era: Como poderemos investigar estas coisas, fornecendo as únicas características do fenômeno? Propositalmente, selecionei casos de um tipo e de outro para ilustrar a complexidade desta espécie de pesquisa. Penso que a mensagem principal que persigo é esta, mesmo que você despenda, cinco ou dez mil dólares investigando um caso, não saberá coisa alguma a mais do que já sabia, de princípio. Creio que é muito importante que todos realizem isto.”

Você já viu algum disco voador?

“Vi coisas que não deveriam estar lá, quando rastreava satélites no observatório de Paris. Eu as percebi visualmente, como parte de uma equipe, e, realmente, foi aí que se iniciou a minha pesquisa. Obviamente, sabia a respeito de UFOS antes disto, mas sempre pensei que se eles estivessem lá e se fossem reais, os astrônomos os veriam e nos relatariam o que haviam visto. O meu primeiro emprego como astrônomo, deixou-me decepcionado. Era parte de uma equipe que rastreava satélites para o “Comitê Espacial Francês”. Nos encontrávamos rastreando objetos que não eram satélites, nem nada reconhecível. Uma noite, nós pegamos onze pontos de dados sobre um destes objetos em um tape magnético, e desejávamos rodar o tape em um computador para completarmos uma órbita para observá-lo outra vez. Não posso lhe dizer se aquilo era uma peça de tecnologia e se alguém a possuía. Podia ser uma peça muito estranha, mas pertencente à tecnologia humana. O que me intrigou foi que o homem encarregado do projeto confiscou o tape e o apagou. Isto me decidiu a começar, realizei, subitamente, que os astrônomos vêem coisas que eles não reportam.

Na realidade, a parte importante de Confrontations, está nos últimos capítulos e se relaciona com as investigações que Jeanine e eu fizemos no Brasil. Fomos ao Brasil, especificamente, para checar estórias de pessoas que haviam sido feridas pela exposição às luzes dos UFOS. Ficamos por lá, cerca de duas semanas, indo de uma cidadezinha a outra e conversando com o povo. Não atingimos nada mais do que a superfície, mas em dez dias, falamos com umas cinqüenta pessoas que foram feridas por estes raios e algumas delas haviam visto estes objetos, apenas, uma semana antes de nossa chegada”.

Eles viram a mesma classe de aparelho tecnológico?

“Muito semelhante. Havia uma variedade de objetos, mas os que emitem estes raios são clássicos, em termos de modelo. São objetos semelhantes a uma caixa retangular que não fazem barulho ou apenas um “hum”, como o barulho de um refrigerador. Eles chegam à noite e o raio é uma luz que não só queima como alfineta. Quando perguntávamos aos brasileiros sobre o fenômeno, descobríamos que eles não o vêem como uma coisa de um outro planeta, mas algo que vem de um plano espiritual. Esta é a sua colocação, mas não oferecem maiores e mais profundas explicações. Havia um rapaz, um amigo, que era cego e havia desenvolvido poderes paranormais, tentei faze-lo falar. Perguntei-lhe qual a espécie de espíritos que ele havia encontrado, mas ele era muito humilde e franco. Disse-me que ele podia invocar os deuses da sua tradição, mas aquelas coisas eram alguma outra coisa. Algo semelhante a: -”Sim, estas coisas existem, mas estão além do meu alcance.”

Na sua cultura, esta explanação poderia ser olhada como algo de mais absurdo do que atividades extraterrestres.

“É o absurdo, a mesma coisa que ouvi de pessoas da nossa cultura: o absurdo. Mas o absurdo não significa falta de sentido. O absurdo é um sinal que possui a propriedade de tirá-lo da sua maneira habitual de pensar, para introduzi-lo em uma outra forma de pensamento que você não sabe que existe. O absurdo força você a perceber a realidade de um outro nível. Os Koans do Zen Budismo, por exemplo, são absurdos, mas a sua intenção, em serem absurdos, é a de parar com o seu processo habitual de pensar. Eles fazem você ficar consciente do seu processo mental, parando este processo.”.

E qual o tipo de estado mental foi criado nestes aldeões?

“O “dia seguinte” a um encontro, as testemunhas estavam extremamente fracas e mal podiam andar. Foram levadas a um médico, se havia algum por perto. Falei com alguns destes médicos, um deles havia tratado de trinta e cinco pessoas, na boca do Amazonas.”.

O que você pensa disto? Tal concentração de atividade em uma área?

“Você encontrava a mesma coisa na União soviética, mas ninguém comentava isto”.

Existem pessoas queimadas por raios na União Soviética?

“Sim, mas não ouvi casos de verdadeiras injúrias na Rússia embora tenha escutado a respeito de raios derretendo o asfalto. Passei uma semana com uma jornalista francesa na União Soviética” (Jornal Infinito: pesquisa do Caso Voronezh).

“Penso que a penetração básica para mim, é a de entender que o fenômeno UFO não é um sistema. Se fosse um sistema poderíamos, provavelmente, entendê-lo. Somos muito bons em analisar sistemas quando estes sistemas são sociais, sistemas de “hardware” ou sistemas físicos. Penso que não chegamos ainda a lugar algum, porque necessitamos investigar o fenômeno, não como a um sistema, mas como sendo um meta-sistema. Em outras palavras, é um sistema gerador de sistemas. Para lhe oferecer uma analogia simples, suponhamos que iremos estudar uma civilização sobre a qual sabemos muito pouco. Assim, vemos, Sábado à noite, que uma multidão se dirige a um certo edifício. Perguntamos? “Porque vocês estão indo para lá?” E eles respondem: “Oh, foi sensacional, assistimos Bambi.” Anotamos a experiência muito consistente, pois basicamente, todos dizem a mesma coisa. Atravessamos a rua e fazemos pergunta idêntica a uma outra multidão, que está indo para outro edifício, e as pessoas respondem: “Fomos assistir Rambo.”
Uma informação, também consistente, mas diferente da outra. O próximo passo é nos encaminharmos aos edifícios para checarmos as coisas por nós mesmos. Tudo o que vemos é uma tela branca e uma série de cadeiras defronte da tela. A teoria óbvia é psicológica – estas pessoas gostam de se encontrar aqui e suas consciências criam mitos das suas próprias fantasias. Umas amam Bambi e as outras, Rambo. Assumimos que não há realidade física alguma. Podemos estar errados nesta assumpção, mas é uma teoria a ser desenvolvida.”

“As pessoas fazem o mesmo em relação aos UFOS. Dizem: “É mitologia, Vem do inconsciente em um certo tempo. Às vezes gosta de se assemelhar à Virgem Maria, em outras vezes se parecem com as fadas, e em certos tempos, gostam de se assemelhar a naves espaciais.”

“Bem, se você for ao cinema enquanto o filme está sendo rodado será totalmente diferente, porque agora, estará acontecendo uma experiência sensória – você vê, você reage ao que vê!”

“O que vê acelera o seu coração e causa muitos fatores fisiológicos em você. Mas isto significa que Bambi existe? É lógico que não. Há uma falha básica neste nível de análise, e creio que é uma armadilha na qual toda a ufologia, e em especial a americana, caiu nela. Há, apenas, uma leitura superficial. Penso que é o que está acontecendo com a pesquisa da abdução atualmente. Quando eles hipnotizam testemunhas e elas regridem à experiência, o que elas conseguiriam de fato, seria somente uma tela branca. Não acredito que possam atingir uma realidade”.

“Ao invés de olhar para a tela, o que desejo é dar meia volta e olhar em outra direção. Se fizer isto, verei um buraquinho no topo da parede com uma luz vinda de lá. É nisto que desejo embarcar. Desejo roubar a chave da cabine do projecionista e depois voltar lá quando todos se forem. E o que eu encontrar lá será um meta-sistema. É um sistema de rodas que pode gerar o que você quiser – Bambi, Rambo, Encontros Imediatos… Este é o meu próximo projeto: interferir com o próprio fenômeno e de brincar com o projetor. Penso que se assim nós o fizermos o forçaremos a reagir”.

Como fazer este tipo de coisa? Como você pode saber o tempo onde isto irá acontecer para que você possa interferir com ele?

“Não sei, mas talvez haja um modo de saber. Se isto é um sistema de controle, então há um ponto de “feedback” em algum local. Uma vez que você o encontre, poderá atarraxa-lo em volta dele mesmo.”.

Você possui algum tipo de conhecimento de que haja algum tipo de tecnologia avançada possuída por seres humanos neste planeta, que poderia ser responsável por tal fenômeno?

“A tecnologia existente pode assumir muitas coisas relatadas pelas pessoas. Pense na bomba Stealth, por exemplo. Estou convencido de que algumas das quedas de naves comentadas, falam dos princípios das experiências com a bomba Stealth. Duas coisas apontam nesta direção: as formas e métodos através das quais foi resgatada e os locais onde se originaram os relatos. Penso que as testemunhas estavam, de boa fé, relatando algo que foi uma experiência militar, Outra coisa, deveria ser óbvia se pensar nisto, é que as pessoas que estão no comando para preservarem a segurança do local da “queda” ficariam deliciadas se as testemunhas acreditassem que viram um disco voador. Em alguns casos, penso que a estória da do local da “queda”, foi plantada para assegurar que a testemunha poderia ser desacreditada se descrevesse alguma coisa muito estranha caindo do céu e sendo descartada pelos militares. Penso que foi exatamente o que aconteceu. Eles ficariam encantados em usarem a narrativa acerca do UFO. para encobertar a verdadeira estória. Se dez anos depois, você preencher uma “requisição de informação”, você encontrará a estória encobertada, como sendo uma estória contrária ao relato real do fato. Como resultado, você pode passar anos tentando compreender este fato, porque ele jamais irá levá-lo ao que seria a tecnologia real. Agora que conhecemos um pouquinho mais sobre estas experiências, penso que podemos colocar dois mais dois juntos. Em decorrência, isto não explica o que sucedeu em 1947, ou 1964, porque mesta época nós não tínhamos nada parecido com o Stealth.”

Você já chegou ou tem quaisquer provas, na sua mente, de que o governo tem a guarda de alienígenas? Muita coisa está vindo à tona agora, na mídia. É muito interessante.

“Sim, é muito interessante em um nível sociológico, porque, quando você começa a observar uma aceitação crescente desta hipótese, compreende que as pessoas podem estar, talvez, mais interessadas em satisfazer a lógica do que à verdade. A reação típica é esta: “esta classe de informação somente poderia ser dada por alguém, do lado de dentro, e que tem acesso a ela. Portanto, a estória é real e verdadeira.”Tudo o que isto realmente significa é que alguém, do lado de dentro, possui alguma razão para liberar a estória. Mas isto não significa que ela seja verdadeira”.

Porque alguém gostaria de plantar este tipo de estórias?

“Bem, podem existir várias razões. Escrevi uma novela, “Arlental”, de muito sucesso. Na novela existe uma agência chamada “A Agência da Inteligência Alienígena”. Uma das coisas que esta agência faz é usar a crença, ou expectativa sobre os UFOS na população, como suporte para a sua própria propaganda. É uma explicação.”

Qual é a proposta a que serve este tipo de propaganda?

“Há várias propostas. Uma delas é o exercício psicológico da arte da guerra. Em Arlental, as pessoas encaravam a história cinicamente. A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra de camponeses – a massa contra ela mesma. A Segunda Guerra foi diferente. Foi uma guerra dos poderes econômicos e industriais onde o que determinou a vitória tinha muito pouco a ver com números. Tinha a ver com a maior capacidade de produção de mais tanques, aeroplanos e armas, por dia, do que a do seu antagonista. Os mesmos cínicos decidem que a Terceira Guerra Mundial será uma guerra de sistemas de informação, que tem a ver com o controle dos sistemas de crenças das massas por pequenos grupos de pessoas, que vivem em ambientes secretos, com meios muito sofisticados de comunicação: computadores, satélites e coisas assim. A sua assunção, na novela, é a de que a chave de controle do mundo, hoje, é o controle dos sistemas de crença nas massas. Não são as armas nucleares na verdade, sabemos que não poderemos usá-las. De fato, é isto que está acontecendo no mundo atual. Vejam qual é a influência maior atualmente. O capitalismo é a predominância no desenvolvimento da Polônia. A força das crenças islâmicas estão influenciando, predominantemente, as polícias russas. O controle de crenças é um ponto de culminante importância. Dentro deste contexto os UFOS são muito importantes, porque, se você pode fazer o povo acreditar em que os extraterrestres estão chegando, então poderia usar a força deste medo para realizar o que quiser.”

- Parte de uma entrevista de Jacques Vallee feita com J. R. nos inícios da década de 1990: aos 14/11/1990.
Chamando a si mesmo de “o herético entre os heréticos” Vallee, mais recentemente, foi entrevistado por Jonathan Vankin e permanece alimentando as mesmas idéias.

Entrevista à “GCAT

GCAT: Por que os americanos são obssediados com a idéia que os pilotos dos OVNIs são alienigenas do espaço exterior?

Vallee: Eu penso que os americanos , se eles estão interessados no assunto, são muito literais. Eles querem chutar os pneus , que é o que um bom americano quer fazer. Eles querem fazer engenharia reversa no sistema de propulsão. E quando eu digo , “Olhe , talvez estas coisas não tenham um sistema de propulsão” , voce obtem uma estranha reação . Exatamente , se voce lembrar , em Encontros do 3 Grau , o personagem de Truffatt ficava dizendo que aquilo era um fenomeno sociológico , não exatamente fisico . E ele consegue um monte de problemas com isto.

60GCAT: Neste ponto voce subscreveu à teoria que os Ovnis podem ser extraterrestres na sua origem. . .

Vallee: Quando conheci Spielberg , eu argumentei que o objetivo seria mais interessante se ele não fosse extraterrestre. Se fosse real , físico , mas não extraterrestre. Então ele disse , “Voce provavelmente esta correto , mas não é o que o publico esta esperando — isto é Hollywood e eu quero dar as pessoas algo próximo aquilo que elas esperam.” O que é razoavel.

60GCAT: Então o que temos de certo sobre o fenomeno dos Ovnis?

Vallee: Existe um fenomeno . Não sabemos de onde ele vem. Ele é caracterizado pelos seus traços físicos. Oitenta por cento dos casos tem explicações triviais. Mas eu estou falando sobre o amago do problema. Ele parece envolver uma quantidade imensa de energia em um pequeno espaço físico, ele parece envolver microondas pulsantes, entre outras coisas. Não existe muito conhecimento sobre o efeito das microondas no cérebro , então é muito possivel que algumas das histórias que voce consegue das pessoas são essencialmente alucinações induzidas em testemunhas sinceras — as testemunhas não estão mentindo. Elas realmente estiveram expostas à alguma coisa genuina mas não existe meio de voltar ao que era esta coisa , baseado em suas descrições, por que o seu cérebro foi afetado pela proximidade desta energia. Tendo dito isto , eu tive um monte de colegas na ciencia e na tecnologia que eu respeito que dizem-me que isto pode ser um fenomeno natural — isto pode ser uma desconhecida forma de energia na atmosfera. Nós não sabemos muito sobre o efeito de campos eletromagnéticos no sistema nervoso. Nós estamos descobrindo aos poucos. Na medida que pesquisamos o assunto. Então é bem possivel que seja um fenomeno como este, uma coisa bem expontanea. Ou então ele pode ser artificial. Se é artificial , o fenomeno pode vir de uma outra forma de consciencia , que pode ou não ser extraterrestre. Existe um universo enorme por aí afora. Como podemos dizer de onde a coisa vem? Nós podemos apenas especular a respeito.

60GCAT: Como podemos usar a nossa tecnologia atrasada para investigar o assunto?

Vallee: Onde eu penso que esta tecnologia pode ser util , é em pesquisar caminhos. E eu fiz tudo o que alguem pode fazer . Eu construi , com minha esposa , o primeiro banco de dados de computador de avistamento de OVNIs. Mas onde eu penso que computadores podem ser de grande ajuda é na aplicação da inteligencia artificial, razão e dedução dos relatos que tem causas naturais. Eu desenvolvi um protótipo de software disto , que é chamado OVNIBASE , que eu converti para o frances CNES , presumivelmente eles estão desenvolvendo uma nova versão dele, e rodando em seus próprios banco de dados.

60GCAT: E sobre as outras tecnologias que podem nos ajudar a analisar evidencias melhor do que fariamos , por exemplo, há 10 anos atrás?

Vallee: Digitalização de fotografias é muito util. Em meu livro Confrontos , eu menciono a fotografia que eu trouxe da Costa Rica , que era incomum porque o objeto estava sobre o lago ( Lago de Cote ) , então havia um fundo negro bem uniforme . Tudo é conhecido sobre o avião que tirou a foto . No instante que a foto foi tirada ( em 1971 ), ninguém no avião tinha visto o objeto. Foi apenas quando o filme foi revelado que o objeto foi descoberto. A câmera usada estava excepcional : Ela produziu um negativo — 10 polegadas , muito detalhado. Voce pode ver vacas pastando no campo . O tempo é conhecido ; a latitude , longitude e altitude do avião são conhecidos . Então nós passamos um longo tempo analisando a fotografia , sem encontrar uma obvia resposta natural para o objeto. Ele parece ser muito grande e de forma sólida. Eu obtive o negativo do governo da Costa Rica — se você não tem o negativo , a analise é uma perda de tempo. Eu também obtive o negativo da foto tirada antes e depois daquela , todas sem cortes. Eu levei os negativos a um amigo meu na França que trabalha para uma firma que analisa digitalmente fotografias de satélites. Ele digitalizou a coisa toda, e depois analisou-a da forma o mais completa possível, e não conseguiu encontrar uma explicação para o objeto.

60GCAT: É duro para os americanos conviverem com a idéia de que os OVNIs podem ser a manifestação de uma outra dimensão. . .

Vallee: Você tem que manter a sua mente sempre aberta. O que eu tento fazer é o que um policial investigador faz: eu tento ouvir a testemunha ao invés de projetar minhas próprias teorias. Teorias existem às dúzias. Elas não trazem nada de útil. São quase sempre inúteis, eu penso, simplesmente ouça o que as pessoas estão lhe dizendo, e eu tenho tentado isto não só aqui nos EUA, mas também na Europa e outros lugares que eu visitei, como o Brasil e a Argentina, e tento encontrar novos caminhos.

60GCAT: Você tem sido uma figura controvertida entre os pesquisadores de OVNIs, principalmente por que você mantém teorias mais exóticas do que aquelas que o paradigma dos UFOs provenientes do espaço exterior.

Vallee: Eu tenho criado atrito com um numero elevado de crentes em UFOs. Numero um, porque eu não estou pronto para pular para qualquer conclusão que seja necessariamente extraterrestre — nós não somos suficientemente espertos para saber o que eles são neste ponto. E a pesquisa não o fez. Eu certamente relembro o suficiente do meu treinamento como astrônomo para lhe dizer que o universo é grande o bastante para ter outras formas de vida que não as nossas; no mínimo esperamos que assim o seja. Mas até o momento não o podemos provar. Logo nós não podemos ver como eles podem vir aqui — provavelmente eles são muito mais avançados com respeito à Física, e devem ter conseguido um meio de o faze-lo. Mas isto não explica os OVNIs. Eu também antagonizei uma porção de pessoas porque eu penso que o modo como são manuseadas as abduções são incorretas. Não apenas erradas cientificamente, mas erradas moralmente e eticamente. Eu tenho falado as pessoas, não deixe ninguém hipnotiza-lo se você ver uma estranha luz no céu. Eu penso que um monte destas pessoas proeminentes na mídia e no National Enquirer e nos “talk show” e por aí afora estão criando abduzidos sob hipnose. Eles estão hipnotizando todo mundo que tenha tido alguma estranha experiência e dizendo-lhes que eles foram abduzidos por mera sugestão. E eles estão fazendo isto com boas intenções. Eles não tem noção exata do que estão fazendo. Mas no meu modo de pensar, isto é anti-ético.

60GCAT: O que você pensa de John Mack, um psicólogo de Harvard que acredita que as abduções alienígenas são um fenômeno real? É claro, ele usa hipnose em seus pacientes para liberar “memórias reprimidas” destas abduções.

Vallee: Eu o respeito por sua coragem em tratar deste assunto, mas não concordo com os seus métodos.
Eu tive algumas testemunhas que queriam ser hipnotizadas, levei-as em apenas dois casos de 70 no total de casos de abdução que eu estudei. E usualmente os especialistas dizem-me que a hipnose não é necessariamente o melhor meio de auxiliar estas pessoas. Não é nem mesmo o melhor método de recuperar memórias. Pode ser útil em casos específicos. Mas eu nunca hipnotizei ninguém, eu não sou qualificado para fazê-lo.

60GCAT: Como você ficou inicialmente interessado em fenômenos paranormais e OVNIs?

Vallee: Eu comecei querendo fazer astronomia e arruinei uma perfeita carreira na ciência por ficar interessado em computadores. Isto foi na França nos tempos iniciais dos cursos de computação nas universidades francesas. Meu trabalho inicial foi no observatório de Paris, monitorando satélites. E começamos seguindo objetos que não eram satélites, e então decidimos prestar atenção a estes objetos mesmo que eles não estivessem no escopo dos satélites normais. E uma noite obtivemos onze pontos de dados de um destes objetos — ele era muito brilhante. E era retrogrado. Era o tempo em que não era possível um foguete poderoso o suficiente para lançar satélites retrógrados. , um satélite que vai em sentido contrário à rotação terrestre, onde você obviamente necessita compensar a gravidade terrestre dirigindo-se na outra direção. Você tem que alcançar a velocidade de escape na direção oposta à rotação da Terra, o que necessita um monte a mais de energia do que na direção direta da rotação terrestre. E o homem a cargo do projeto confiscou o tape e o apagou na manhã seguinte. Então foi isto que me deixou interessado. Porque acima deles eu pensei, cientistas não parecem interessados em OVNIs, astrônomos não reportam nada não usual nos céus, logo não é nada que tenha a haver com eles. Efetivamente, eu estava na mesma posição que muitos cientistas estão hoje em dia — você confia em seus colegas, e porque você não vê nenhum relatório de testemunhas técnicas creditáveis, você assume que aquilo não é nada. E lá estava eu com um relatório técnico — eu não sabia o que era ou foi aquilo. Não era um disco-voador — ele não pousou próximo ao observatório. Mas permanece sendo um mistério. E invés de olhar para os dados e preserva-los, nós os destruímos.

60GCAT: Por que ele o destruiu?

Vallee: Justamente por medo do ridículo. Ele pensou que os americanos iriam rir de nós, se nós o enviássemos — todos os dados de satélites estavam concentrados nos EUA. E nós estávamos trocando informações (dados) com instituições internacionais. E ele não queria que o observatório de Paris parecesse tolo por reportar algo que não conseguia identificar nos céus. Isto era 1961. Depois eu descobri que outros observatórios fizeram exatamente a mesma observação, e de fato os americanos monitorando estações tinham fotografado a mesma coisa e não conseguiram identifica-lo também. Era um objeto de primeira magnitude: ele era tão brilhante quanto (a estrela) Sirius.
Você não conseguiria perde-lo. Ele não reapareceu nas semanas seguinte. Aquilo era uma pequena anedota, mas para mim o fato de o destruirmos foi mais importante que o que nós vimos. . E reabriu a questão fundamental para mim: O que os cientistas estão observando e não estão falando a respeito? E então eu comecei a extender uma pequena rede de cientistas, que permanece ainda ativa, e descobrir que havia uma porção de dados que nunca foram publicados. De fato, os melhores dados nunca foram publicados. Eu penso que uma boa parte de mal entendidos a respeito dos OVNIs entre os cientistas é devido ao fato que eles nunca têm acesso aos melhores dados.

60GCAT: Por que os melhores dados nunca foram publicados?

Vallee: Eu falo com um monte de companhias técnicas onde os executivos são conscientes dos meus interesses, e eu tenho um monte de relatórios com o selo de confidencialidade de pessoas nas ciências e nos negócios que tem visto coisas. Há cerca de um ano atrás, um vice-presidente da IBM me puxou de lado após uma conferencia e disse, “Você é o mesmo Jacques Vallée que é interessado em UFOs?” e ele descreveu um perfeito clássico encontro com um OVNI que ele e a sua família tiveram no estado de Nova York. Não era nada que estaria no National Enquirer.

Eu conheci um homem que é presidente de uma companhia técnica no Silicon Valley , ele queria contar-me sobre as suas experiências. Ele tinha sido um elevado oficial da marinha no comando de um grande navio, e ele teve três experiências com UFOs, duas delas em serviço numa muito sensível posição — e uma vez quando ele era um piloto de testes. Ele nunca reportou nenhum dos encontros, mesmo quando ele era piloto. Eu disse, “Você não era obrigado a reportar tal incidente?” E ele disse, “Talvez eu fosse, mas se eles tivessem a mínima dúvida sobre o que você está vendo lá em cima, você será considerado louco — e eles não o deixarão se aproximar de um cockpit de um avião experimental nunca mais”. E ele continuou, “Se você é um piloto, você quer é voar. Você não que ficar os próximos meses preenchendo formulários para um bando de psiquiatras”. O que realmente iria acontecer. Eu penso que qualquer piloto lhe dirá a mesma coisa, você sabe, sobre uma cerveja. Então estes são os casos que eu estou interessado. Os casos que não foram reportados na imprensa, que não foram distorcidos no re-depoimento. Quando eu tenho tempo, eu sigo um destes casos com meus próprios recursos basicamente por curiosidade, sem idéias preconcebidas.

60GCAT: Mas os céticos argumentam que mesmos estes podem ser casos anedóticos, visto que não existem dados científicos. . .

Vallee: Existem uma quantidade enorme de dados — e isto pode ser analisado futuramente. Mas eu não penso que isto irá gerar um propulsor para um disco voador. Eu penso que serão coisas que serão interessantes se você encontrar o caminho para o material. Eu sou cético sobre histórias sobre discos espatifados. Eu mantenho uma mente aberta sobre isto mas eu ouvi tantas histórias por tanto tempo e nada realmente tangível . Também sou cético por outra razão: Nós construímos tecnologia agora que é realmente útil onde é necessária. Com que freqüência o seu Winchester (disco rígido) se quebra? Eu digo, se você mantiver seu computador por 15 anos, eventualmente o disco rígido irá se quebrar. Mas você não espera que ele se quebre. Se você vai construir uma tecnologia que permite cruzar o espaço inter-estelar , ela será bastante confiável.

60GCAT: Em seus livros, você detalha a melhora de dados nos casos europeus.

Vallee: Existe uma unidade do CNES , que é o equivalente francês da NASA, que tem permissão para investigar qualquer caso de UFO. Eles começaram na metade dos anos 70 e eles tem caminhado desde então. Eles encontraram uma infinidade de casos que não pode ser explicado, e alguns casos nunca foram publicados com todos os dados. Casos onde existem traços no chão, onde existe evidencia de calor, evidencia de radiação, incluindo radiação por microondas pulsantes, e evidencias de plantas (vegetais) sendo afetadas. Novamente, isto não prova nada. Apenas prova que alguma coisa esteve lá. Não diz o que era. Mas é certamente uma evidencia técnica valida. Este dado não lhe diz se o fenômeno é natural ou não, porque ele não diz o suficiente sobre as condições onde tal aconteceu. E isto é onde eu penso que uma quantidade maior de pesquisas deve ser feita. Pessoas vem a mim dizendo, “Olhe, eu era um piloto ou uma estação de radar, e nós monitoramos UFOs — nós gravamos os dados, e eu era o piloto e segui uma destas coisas e tirei fotos com a câmara de bordo. Quando eu posei havia um sujeito esperando por mim, em blue jeans e um suéter, que disse” Você não viu nada lá em cima”. Ao mesmo tempo, um outro cara com uma chave de fenda esta soltando a câmera da fuselagem. Usualmente as testemunhas não tem a mínima idéia de onde estes sujeitos aparecem. Mas alguém tem um monte de dados, e eu penso que estes dados brutos podem ser transformados em ciência, certamente o miolo de 20 anos atrás — Eu digo, o quanto confidencial pode ele ser? Hoje, podemos conhecer se ele é um inimigo, então devemos enviá-los para a comunidade cientifica. Deixe os céticos analisarem do seu ponto de vista e deixe qualquer um analisar do seu ponto de vista. Este é o modo que a ciência deve funcionar.

60GCAT: Vamos falar sobre as outras formas de evidencia bruta que os cientistas podem olhar quando estudam o problema dos OVNIs. De inicio, pedaços de metal derretido, o chamado “liquid sky”

Vallee: Por sí próprios, estes pedaços não representam evidencia. Mas a existência deste material mostra que existem informações que os cientistas podem pesquisar. Quando nós recebemos de Bogotá na Colômbia, amostra (supostamente remanescente de um liquido ejetado de um disco voador sobre a Universidade de Bogotá nos meados dos anos 70) nós salvamos um pequeno pedaço para analise. Demonstrou-se ser a maior parte alumínio. Novamente, isto não prova nada: você pode fazer uma porção deste material em seu jardim simplesmente pondo metal liquido em uma piscina de água. Metalurgicamente, a amostra de Bogotá não é incomum — exceto que ela sofreu um aquecimento violento, não até o ponto de ebulição mas além dele. Meu ponto tem sido sempre que é interessante ver que caminhos surgem das analises destas amostras. Se você ficar picando amostras como estas , elas podem direcionar a sua pesquisa em um determinado rumo.

60GCAT: Uma teoria diz que este metal liquido é parte do sistema de propulsão dos OVNIs.

Vallee: Existem motores (terrestres) que usam metal liquido — usualmente mercúrio — para contato (elétrico) em liquido. Mas a temperatura necessária para liquefazer o alumínio e outros metais costumam ser muito elevadas.

60GCAT: E sobre as amostras de “liquid sky” que são de feitura levemente mais exótica que a escória de alumínio?

Vallee: A única que parece incomum é a que o Prof. Peter Sturrock (um físico de plasma da Universidade de Stanford) tem. Ela veio de Ubatuba no Brasil. No inicio do ano de 1930, um objeto explodiu sobre uma praia em Ubatuba. (Em 1957, um alegado fragmento desta explosão apareceu, sua origem é desconhecida). Uma analise para a Universidade do Colorado e Stanford confirmou que o material era oxido de magnésio, com uma quantidade mínima de impurezas. Se o metal realmente era originário de 1930, então é algo bem incomum devido ao fato que a tecnologia da época não permitiria este grau de pureza com extrema facilidade.

60GCAT: Vamos falar sobre a implicação de suas pesquisas. Se o fenômeno OVNI é real, mas não são alienígenas do espaço exterior, estamos falando sobre novos modos de pensar sobre a realidade e a cosmologia, não estamos?

Vallee: Sim. Neste sentido, o fenômeno é muito mais importante do que os visitantes de outro planeta seriam. Porque isto altera fundamentalmente a natureza da realidade. Se os UFOs são uma realidade física, eles certamente violam tudo que pensamos conhecer sobre a realidade. Existem relatos de OVNIs materiais que se tornam imateriais e desaparecem num “flash”.

60GCAT: Suas teorias sobre UFOs e outros fenômenos “paranormais” envolve sua metáfora do “universo informal”, onde o tempo e o espaço e talvez outras dimensões podem agir como um banco de dados de um computador cósmico. O que você pretende dizer com isto?

Vallee: Você pode conseguir uma consistente representação da realidade se você olhar para o mundo como uma coleção de eventos, ou “exemplos” (como a filosofia de Ocasionalismo o fez no século onze), muito mais do que uma coleção de objetos materiais movendo-se em um espaço tridimensional na medida que o tempo flui. Na realidade virtual, é claro, você não pode dizer a diferença. No mundo real a informação e a energia são atualmente a mesma quantidade física. Em um universo visto como de “eventos informais” você deve esperar coincidências, telepatia, realidades múltiplas e todas estas coisas que pareceriam impossíveis no universo energético de 4-D. Para mim esta é a razão porque os OVNIs são interessantes. Eu não tenho uma teoria pessoal para “explicar-los”, mas eu os vejo como uma oportunidade de postar novas questões. Se é verdadeiro que a informação reside nas questões que nós fazemos, caminhar com problemas incomuns pode ser mais importante que obter as respostas, neste estágio de nosso limitado conhecimento do universo.

60GCAT: Então a realidade é como um banco de dados de computador na qual uma palavra de busca correta (ou “encantamento”) pode ocasionar que pedaços de informação — um OVNI , um fantasma ou outra anomalia — se materializem .

Vallee: Se você pensar (a realidade) como o software para o universo, tudo que alguém precisa fazer é alterar uma vírgula no programa e a cadeira que você está sentado não será mais uma cadeira de forma alguma. O maior beneficio deste modelo é que ele manuseia anomalias muito bem. Coincidências serão de uma expectativa normal. Se você endereçar um banco de dados com uma questão sobre a palavra “piscina” você obterá complementos como óculos de sol, loções de bronzeamento, bolas e um ou dois prospectos de investimento. Em parapsicologia sujeitos premiados podem estar forçando coincidências similares entre locais ou mentes separadas. Um modo de testar a teoria é criar anomalias massiças de informação e ver o que acontece quando elas entram em colapso.

60GCAT: Claro que, agora você está falando sobre a intersecção de ciência e misticismo. Você se considera uma pessoa mística?

Vallee: Eu nunca fico confortável com uma arbitrária separação do mundo entre universo físico (que é presumivelmente aquele que a ciência estuda) e o psicológico, social e psíquico lado da vida. Para mim esta separação arbitrária é a maior fraqueza do nosso sistema intelectual. A maior parte dos cientistas estudam astronomia desde uma idade prematura, como eu fiz, provavelmente motivados por algo semelhante ao desejo místico de entender o céu noturno e abraçar o seu maior significado. Como o tempo passa, é claro, este desejo se corrompe e se torna trivial. No meu caso eu o manejei de forma a manter esta curiosidade sempre nova sobretudo porque eu não tive uma “experiência mística” no sentido religioso, eu sempre suspeitei que deve haver um outro nível de consciência e que isto sempre foi acessível para a mente humana. Eu tenho encontrado sentimentos similares entre muitos programadores da Net, que foram projetados ao trabalho de rede pela impressão de operarem, apesar dos normais limites de tempo e espaço, algo próximo aquilo que os místicos descrevem, se bem que de um modo muito mais mundano.

60GCAT: Você disse que os OVNIs representam uma forma de inteligência alienígena que esta manipulando continuamente a sociedade humana. Como e com que finalidade?

Vallee: Uma nova analise computacional de tendências históricas, compilado nos anos 70, fez-me plotar um gráfico impressionante de ondas de atividade de UFOs que podiam ser qualquer coisa mas periódicas. Fred Beckman e o Dr. Price Williams da UCLA apontaram que isto remontava uma programação de reforcamento típico de uma aprendizagem ou processo de treinamento: o fenômeno era mais um sistema de controle que mais que um evento exploratório de alienígenas viajantes.
Existem muitos sistemas de controle ao redor de nos, e alguns são parte da natureza: ecologia, clima, etc.. Alguns são feitos pelos homens: o processo de educação, o termostato na sua casa. Se o fenômeno dos UFOs representa um sistema de controle, podemos testá-lo para determinar se ele e natural ou artificial, aberto ou fechado? Esta e uma das mais interessantes questões sobre o fenômeno que nunca foram respondidas.

60GCAT: Falando de sistema de controle, alguns dos outros caminhos nas pesquisas de OVNIs tem permitido sugerir que de tempos em tempos agencias governamentais, cultos e outros grupos interessados em manipular crenças pessoais tem projetado fraudes e decepções de OVNIs. Agora estamos realmente sendo conspiracionais. . .

Vallee: Eu penso que o lugar onde a ufologia — no modo que esta desenvolvida hoje — bate com os meus interesses na comunicação, e os meus interesses nos grupos de trabalho é na manipulação e na decepção. Eu penso que e uma área na qual as pessoas deveriam ser cautelosas. Porque eu penso que um monte de coisas que estão sendo discutidas hoje em dia, entre pessoas que acreditam em UFOs, tanto podem ser místicas como parte de alguma forma de manipulação de alguma espécie, que incluem historias de pequenos alienígenas, híbridos e abduções e por ai em diante. Um monte que pode ter sido tanto como material que os cultos injetaram na cultura porque isto se ajusta com suas próprias fantasias sobre um final do mundo ou do milênio e com todo o resto. Ou, em um sentido mais sinistro, em alguns casos que eu investiguei, a decepção esconde um experimento de controle de mente. Qualquer um que e’ consciente de tecnologia hoje em dia deve saber que há mais do que um caça stealth voando por ai. Nos temos capacidades, teóricas ou praticas, para fazer qualquer tipo de coisa. Existe um desenvolvimento maciço de plataformas naoletais do que aquelas que devem ser testadas em algum lugar, eles tem que ser disfarçadas como algo mais de tempos em tempos. Tem sido desenvolvido maciçamente os RPVs — remotely piloted vehicles — alguns dos quais são em forma de disco. Existe um maciço desenvolvimento de tecnologias de baixa observação que são usadas em reconhecimento e podem ser usadas para qualquer tipo de coisa. E em muitos casos, os UFOs não são simplesmente fantasias nas mentes de algumas poucas testemunhas , mas foram plantadas como parte de uma cobertura para uma mui terrestre tecnologia que esta sendo desenvolvida.

60GCAT: O culto UMMO, que você discutiu extensamente em seus livros, Revelações e Mensageiros da Decepção, tem um impressionante história de uma elaborada decepção. Fale-nos a respeito.

Vallee: Eu penso que o mito UMMO começou com um grupo pequeno de pessoas, essencialmente cultistas. O que era intrigante sobre UMMO eram todas suas revelações pseudo-cientificas (supostamente mandados aos cientistas terrestres como Vallée por parte dos UMMOitas, seres que vieram de um planeta 14,6 anos luz distante do nosso Sol). Mas estes supostas revelações não estavam dentro do estado da arte. Eles não vieram com provas do teorema de Fermat ou algo parecido, era uma perfeita ficção cientifica.

60GCAT: E sobre a teoria francesa que UMMO era um experimento psicológico?

Vallee: Sim, eles pensavam que o culto foi utilizado ou manipulado pela KGB . Por causa de uma coisa, alguma de suas idéias — alguns dos dados que foram supostamente canalizados da organização UMMO nos céus era de uma cosmologia muito avançada. Uma muito avançada cosmologia sobre dois universos envolvendo alguns dados que não eram estúpidos — eles pareciam vir direto das anotações de André Sakarav , incluindo algumas notas não publicadas de Sakarav , algumas coisas que ele tinha trabalhado mas não publicado . E então algumas pessoas — e eu não sei quem estava certo — sentiram que alguém que tiveram acesso a estas notas, para inspirar estas mensagens, talvez a KGB. Isto não era exatamente ficção cientifica, era alguém que sabia o que os mais avançados cosmologistas estavam pensando.

60GCAT: Porque a KGB ou qualquer agencia iria perpetrar um engodo como este?

Vallee: Bem, deixe-me contar uma pequena historia. Cerca de quinze anos atrás havia um grupo que apareceu subitamente em São Francisco. Eles fizeram uma festa. E convidaram todos que eram alguma coisa em parapsicologia. E eles fizeram uma pequena fala dizendo,

“Nós temos todo este dinheiro de alguém que quer fazer o bem e ajudar nas pesquisas, sabemos que não existe muito dinheiro em parapsicologia, nós vamos atender propósitos de pesquisa, de-nos suas melhores idéias, nós enviaremos para um painel que ira revisa-las e fundear (financiar) as melhores pesquisas.”

Após a festa, um monte de pessoas correram para suas casas para seus computadores e digitaram suas melhores idéias, enviando-as — mas a organização nunca existira, nunca se ouviu falar dela depois disto. Alguém estava pescando alguma coisa.

Então tendo uma cobertura como um grupo algumas vezes, um grupo completamente estranho, pode ser um modo conveniente de obter inteligência técnica. Ë um bom meio de estabelecer uma base tecnológica. Então alguns destes estranhos grupos podem ser utilizados para isto. Agora, isto não explica porque eles fazem isto por dez anos seguidos. Neste caso de UMMO, porque eles vão em frente? Eu penso que UMMO se tornou um alinhamento de interesses por sí próprio. Ele se tornou um fim em sí mesmo porque muitas pessoas se projetaram psicologicamente nele. Eles começaram escrevendo coisas sobre cada um deles e isto se tornou um mito auto-sustentado. Eles continuam me mandando material. Existe um índice, catálogos; para algumas pessoas ele se tornou a própria vida. de forma crescente, estamos vendo estes estas espécies de cultos aparecendo na internet, no ciberespaço.

60GCAT: Existe algo nas comunicações on-line que ajudam a promover mitos e decepções?

Vallee: Porque vivemos em um mundo onde com os meios de comunicação são baseados em redes digitais, um grupo pequeno de pessoas pode ter um tremendo impacto na crença das massas. E nós ainda vivemos em um mundo onde a crença das massas é uma arma estratégica. Nós temos bombas H mas não podemos utilizá-la . Nós temos bombas de nêutrons, mas não podemos usá-las. Mas se acharmos um meio de influenciar crenças de massas de pessoas, isto seria de grande impacto estratégico. O grande problema no mundo são os problemas do fundamentalismo e da religião — seja islâmico ou outras formas de religião.

Estes são a grande força de desestabilização no mundo de hoje. Bem, crenças em Extraterrestres que venham aqui para salvar-nos podem induzir grande massas de pessoas com os significados técnicos que existem hoje em dia.

O potencial de contágio de crenças absurdas é real. Nas mãos de pessoas que podem deliberadamente usar a Internet para criar uma epidemia de irracionalismo nós podemos ver a emergência de uma nova classe de extremamente perigosos e poderosos cultos com toda a espécie de trapaças de alta tecnologia.

E eu penso que alguém tem que prestar atenção a este angulo. Então eu fui levado a isto encontrando — eu estava investigando alguns casos que eram fisicamente reais, mas eram engodos — mas não um engodo por parte da testemunha. E a história sobre o objeto foi de fato plantada.

O caso Bentwaters (no qual um americano a serviço da Força Aérea americana com base na Inglaterra observou um artefato em forma de disco pousar na floresta) é um clássico. Para o local de aterrizagem, eles tiveram um misto de guardas comuns, oficiais, sentinelas e então tiveram ordens de ir ao local dentro de um cenário (explicação). E isto não é o que aconteceria se o encontro fosse real — se um estranho objeto aterra na base você não manda centenas de pessoas sem armas. A coisa toda tinha todo o destino de ser planejada para os benefícios das testemunhas, então elas poderiam ser estudadas e, da mesma forma, as reações de diferentes tipos psicológicos e de diferentes níveis hierárquicos. E quando você pensa a respeito, não se torna tão estranho. Se você está a cargo de um projeto como este, você terá que testa-lo em condições onde ninguém está em perigo e você pode conseguir a maior quantidade de dados que precisar. Em casos como este — não muitos mas poucos deles — que eu investiguei , tive que concluir que foram testes de projetores de realidade virtual

60GCAT: Então deve haver aplicações militares para esta tecnologia da decepção?

Vallee: Nossos deuses sempre vem dos céus. E como um deus viria do céu hoje? Ele desceria em alguma espécie de nave espacial. Ele não apareceria simplesmente saindo das nuvens, eu quero dizer, que isto não funcionaria. Se bem que na Primeira Grande Guerra os alemães estavam usando guerra psicológica pela projeção de fotografias, slides, ao longo das linhas de defesa francesas. E eu estou certo que os franceses estavam fazendo a mesma coisa com os alemães. E deve haver alguns sofisticados dispositivos, agora, sendo utilizados em combate psicológico para criar visões, hologramas, para influenciar pessoas. Eles podem não funcionar com você ou comigo se sairmos para fora e virmos alguma coisa nos céus, eles podem não desestabilizar-nos. Mas se estivermos sob um monte de stress — se você estiver lutando por um mês em uma pequena ilha, e subitamente algo como isto acontece —

Eu me lembro de uma carta para a Força Aérea dos EUA de um homem que finalmente reportava algo que ele havia visto durante a Segunda Grande Guerra no Pacifico. Ele disse que estava no topo de uma pequena ilha num ponto de observação. Eles estavam esperando um ataque japonês. Eles tinham lutado intensamente por diversas semanas. Eles estavam justamente isolados. Eles viram um objeto no céu que era absolutamente físico, que circundou a ilha, era um disco, não apresentava meios de propulsão, nenhum barulho. Ele circundou a ilha e se foi. E o homem disse que nunca reportou-o, mesmo a sua própria esposa. A razão de ele não reporta-lo é que estes homens estavam sob um tremendo stress que ele não poderia quere que pensassem que o seu comandante estava dobrando-se (desmoronando). Então a mesma espécie de significado psicológico que não funcionaria com pessoas comuns podem funcionar em casos excepcionais.

60GCAT: E sobretudo ocultistas e crentes da realidade dos OVNIs — que estão sob alguma espécie de stress psicológico — podem ser vistos como alvos ideais para estes tipos de manipulação.

Vallee: Em alguns casos a comunidade ufológica pode ser simplesmente utilizada em algum experimento sociológico porque eles são um grupo conveniente de pessoas para serem vistos em como reagem a diferentes rumores. (Suponha que o governo perca uma arma nuclear em um pais estrangeiro) Você tem que ir e recuperar esta coisa. E você não pode dizer as pessoas o que você está fazendo, então você tem que ser muito hábil em plantar uma história. Você pode plantar uma história curta dizendo que isto era um disco voador de Vênus. Isto seria tão ridículo que cientistas não iriam checar. Você pode ter alguns jornalistas lá, mas você não poderá dizer-lhes o que você realmente quer, e você dá algumas fotos de qualquer coisa. E então o que você precisa é só distrair as pessoas por dois ou três dias, tempo de trazer o equipamento, conseguir qualquer coisa de fora, recuperar o que você esta procurando e ir embora. Eu penso que existem casos que foi o que exatamente aconteceu. E aqueles são da espécie de grandes historias de UFOs que as pessoas contam ao redor de fogueiras em acampamentos.

Mas eu penso que não existem OVNIs aqui. Eu penso que essas histórias de UFOs são inventadas — Eu estava dizendo no inicio que é saudável sermos cépticos. Eu respeito pessoas que tenham argumentos céticos lá. Jim Oberg, que era um especialista no programa espacial russo, apontava para mim que alguns dos avistamentos que eu publiquei provenientes da União Soviética — um estranho amarelado crescente visto correr os céus por diversas pessoas na URSS — era ensaios com foguetes que eram ilegais sob o tratado do SALT, e obviamente, eles não poderiam escondê-lo nos céus. . . Então o governo plantou a história que havia um disco voador, e foi o que foi para os jornais.

Novamente, a comunidade de pesquisas ufológicas é um laboratório formidável no qual se observa os efeitos da propaganda e da desinformação, desde que ela é “dirigida” em sua maior parte com a intenção de expor “o acobertamento”. Isto cria uma oportunidade para as pessoas para mascarar como bons rapazes e “revelar” toda a sorte de rumores inverificáveis. Eles encontram uma audiência receptiva porque o conteúdo é um de idéias não-conformistas, originais e ressaltadas. Não significa que vamos acreditar no homem que afirmou que estava na inteligência da NATO e viu documentos classificados sobre quatro raças de humanóides vivendo na Lua? Eu não penso que faríamos.

Fontes

http://www.jornalinfinito.com.br/series.asp?cod=65

http://www.vigilia.com.br/vforum/viewtopic.php?p=3836&sid=466ebff7365dece33ad9d5629a8a76df

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Mente, Memória e Arquétipo: Ressonância Mórfica e o Incosciente Coletivo

Outubro 12, 2008 at 4:30 am (Swoboda)

Por: Rupert Sheldrake (Psycological Perspectives, 1997).

Tradução: Sulivan Hübner

Mais um interessante ensaio de Rupert Sheldrake sobre a teoria dos campos morfogenéticos.

Rupert Sheldrake é um Biólogo teórico cujo livro, “Uma Nova Ciência da Vida: a hipótese da causação formativa (Tarcher, 1981)”, evocou uma tempestade de controvérsias. A revista Nature o descreveu como “o mais forte candidato à fogueira”, enquanto que a revista New Scietist chamou de “uma importante investigação científica a respeito da natureza da realidade biológica e física”. Devido ao fato do seu trabalho conter implicações importantes para os conceitos junguianos a respeito dos arquétipos e do inconsciente coletivo, nós convidamos Sheldrake para apresentar a sua visão em uma série de quatro ensaios que aparecerão nos assuntos sucessivos da revista Psycological Perspectives. Tais ensaios serão atualizações da sua apresentação sobre “ressonância mórfica e o inconsciente coletivo”, ocorrida em maio de 1986 no Instituto de Relações Humanas, em Sta. Bárbara, Califórnia.

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Neste ensaio eu estarei discutindo o conceito da memória coletiva como base para a compreensão do conceito de Jung do inconsciente coletivo. O inconsciente coletivo somente faz sentido no contexto com alguma noção de memória coletiva. Isto, portanto nos leva até um exame bastante amplo da natureza e do princípio da memória – não apenas em seres humanos e nem apenas no reino animal; nem mesmo apenas no setor da vida – mas no universo como um todo. Tal perspectiva é parte de uma mudança muito profunda de paradigma que está ocorrendo na ciência: a mudança de uma visão mundo mecanicista para uma visão evolutiva e holística.

A visão cartesiana mecanicista é de muitas maneiras, ainda o atual paradigma predominante, especialmente na biologia e na medicina. Noventa por cento dos biólogos se orgulhariam de declarar que são biólogos mecanicistas. A despeito de a Física ter se movido para além da visão mecanicista, muito do nosso pensar a respeito da realidade física ainda é moldado por ela – mesmo naqueles de nós que gostariam de acreditar tiramo-nos movido para além dessa configuração de pensamento. Portanto eu examinarei brevemente algumas das suposições fundamentais da visão de mundo mecanicista a fim de demonstrar como esta ainda se encontra profundamente enraizada no modo de pensar da maioria de nós.

AS RAÍZES DO MECANICISMO NO MISTICISMO NEOPLATÔNICO

È interessante notar que as raízes da visão mecanicistas de mundo do século XVII possam ser encontradas na religião mística antiga. De fato, a visão mecanicista foi (era) uma síntese de duas tradições de pensamento, ambas as quais estavam baseadas no ‘insight’ místico de que a realidade é permanente e imutável. Uma destas tradições provém de Pitágoras e de Platão, que eram ambos fascinados pelas verdades eternas da Matemática. No século XVII isto evoluiu para uma visão de que a natureza era governada por idéias permanentes, proporções, princípios, ou leis que existiam dentro da mente de Deus. Esta visão de mundo tornou-se dominante e, através de filósofos e cientistas tais como Copérnico, Kepler, Descartes, Galileu e Newton, foi incorporada aos fundamentos da física moderna.

Basicamente eles expressavam a idéia de que os números, proporções, equações e princípios matemáticos são mais reais do que o mundo físico que nós vivenciamos. Mesmo hoje muitos matemáticos se inclinam em direção a este tipo de misticismo pitagórico ou platônico. Eles pensam que o mundo físico é como um resultado de princípios matemáticos, como um reflexo das eternas leis numéricas matemáticas. Esta visão é estranha para o modo de pensar da maioria de nós, para os quais o mundo físico é o mundo “real” e as equações matemáticas são consideradas “feitas pelo homem” e possivelmente descrições imprecisas deste mundo “real”. Apesar disto esta visão mística evoluiu para o ponto de vista científico predominante atual de que a natureza é governada por leis eternas, imutáveis, permanentes onipresentes. As leis da natureza estão em todos os lugares e sempre presentes.

AS RAÍZES DO MATERIALISMO NO ATOMISMO

A segunda visão da imutabilidade que emergiu no século XVII nasceu da tradição atomística do materialismo, que se dedicou a um assunto que já estava profundamente enraizado no pensamento grego: especificamente o conceito de uma realidade imutável. Parmênides, um filósofo pré-socrático, tinha a idéia de que somente o ser é (only being is); não ser não é (not being is not). Se algo é, este não pode mudar porque, a fim de mudar, teria que combinar ser e não ser (existir e não existir), o que era impossível. Portanto ele concluiu que a realidade é uma esfera imutável e homogênea. Infelizmente para Parmênides, o mundo que nós vivenciamos não é homogêneo, imutável ou esférico. A fim de preservar a sua teoria, ele afirmou que o mundo que nós vivenciamos é uma ilusão. Esta não era uma solução muito satisfatória e os pensadores da época tentaram encontrar um modo de resolver este dilema.

A solução dos atomistas era a de reivindicar que a realidade consiste de um grande número de esferas (ou partículas) homogêneas e imutáveis: os átomos. Ao invés de uma grande esfera imutável, existe grande número de esferas imutáveis se movendo no vácuo. Os aspectos mutáveis do mundo poderiam então ser explicados em termos dos movimentos, das permutas e das combinações dos átomos. Este é o “insight” original do materialismo: que a realidade consistia de matéria atômica eterna e do movimento da matéria.

A combinação desta tradição materialista com a tradição platônica finalmente fez nascer à filosofia mecanicista que emergiu no século XXVII e que produziu um dualismo cósmico que tem estado conosco desde então. De um lado temos átomos eternos de matéria inerte e do outro lado temos leis imutáveis, não materiais, que se parecem mais com idéias do que com coisas físicas e materiais. Nesta espécie de dualismo ambos os lados são imutáveis – uma crença que não sugere de pronto a idéia de um universo evolutivo. De fato, os físicos têm estado em oposição a aceitar a idéia de evolução precisamente porque ela se encaixa de maneira pobre com a noção da matéria eterna e das leis imutáveis. Na física moderna a matéria tem sido vista como uma forma de energia; a energia eterna substituiu a matéria eterna, mas, além disso, pouco tem mudado.

A EMERGÊNCIA DO PARADIGMA EVOLUTIVO

No entanto, o paradigma evolutivo tem se firmado nos dois últimos séculos. No século XVIII, desenvolvimentos sociais, artísticos e científicos foram visto em geral como um processo evolutivo e progressivo. A revolução industrial tornou esse ponto de vista uma realidade econômica em parte da Europa e América. No início de século XIX, havia um número de filosofias evolutivas e, por volta de 1840, a teoria evolutiva social do marxismo tinha sido publicada. Neste contexto de teoria evolutiva social e cultural, Darwin apresentou a sua teoria da evolução biológica, que estendia a visão evolutiva à vida como um todo. Mesmo assim esta visão não atingia todo o universo: Darwin e os neodarwinistas ironicamente tentaram encaixar a evolução da vida na terra em um universo estático, e até pior, um universo que na verdade se pensava estar “se acabando” termodinamicamente, em direção à “morte pelo calor”.

Tudo mudou em 1966 quando a física finalmente aceitou uma cosmologia evolutiva na qual o universo não seria mais eterno. Ao invés disso, o universo se originava a partir de um “Big Bang” há cerca de 15 bilhões de anos atrás e havia evoluído desde então. Assim nós temos agora uma física evolutiva. Mas devemos nos lembrar que esta tem apenas cerca de 20 anos de idade e que as implicações e conseqüências da descoberta do big bang ainda não estão completamente entendidas.

A física está apenas começando a adaptar-se a esta nova visão, a qual, como temos visto, desafia a mais fundamental suposição da física desde a era de Pitágoras: a idéia das leis eternas. Na medida em que nós temos um universo que evolui, somos confrontados com a questão: e a respeito das leis eternas da natureza? A onde estavam as leis da natureza antes do big bang? Se as leis da natureza existiam antes do big bang, então fica claro que estas são de caráter não-físico; de fato, são metafísicas. Isto nos empurra para fora da suposição metafísica que se encontra sob a idéia das leis eternas, por conseqüência.

LEIS DA NATUREZA, OU APENAS HÁBITOS?

Existe, no entanto uma alternativa. A alternativa e a de que o universo se parece mais com um organismo do que com uma máquina. O big bang chama-nos de volta às estórias místicas sobre “chocar o ovo cósmico”: ele cresce, e medida que cresce se submete a uma diferenciação interna que se parece mais com um embrião cósmico gigante do que com a enorme máquina eterna da teoria mecanicista. Com esta alternativa orgânica, pode fazer sentido pensar a respeito das leis da natureza mais como hábitos; talvez as leis da natureza sejam hábitos do universo, e talvez o universo tenha uma memória embutida.

Há cerca de cem anos, o filósofo americano C. S. Pierce disse que se tomássemos seriamente a evolução, se pensássemos que o universo todo se encontra em evolução, então teríamos de pensar nas leis da natureza com algo ligado aos hábitos. Esta idéia era de fato bastante comum especialmente na América; ela foi adotada por William James e outros filósofos americanos e foi amplamente discutida no final do século XIX. Na Alemanha, Nietzsche chegou a sugerir que as leis da natureza se submetiam à seleção natural: talvez tenham existido muitas leis da natureza no início, mas somente as bem sucedidas sobreviveram; portanto, o universo que nós vemos tem leis que evoluíram através da seleção natural.

Os biólogos também se deslocaram em direção a uma interpretação dos fenômenos em termos de hábitos. O mais interessante destes teóricos foi o escritor inglês Samuel Butler, cujos livros mais importantes sobre este tema foram “Vida e Hábito” [1878] “Memória Inconsciente” (1881). Butler afirmava que o todo da vida envolvia uma memória inconsciente inerente; os hábitos, os instintos dos animais, o modo pelo qual os embriões se desenvolvem, tudo refletia um princípio básico de uma memória inerente de dentro da vida. Ele chegou a propor que deveria haver uma memória inerente aos átomos, moléculas e cristais. Assim houve este período de tempo no final do século XIX quando a biologia foi vista em termos evolutivos. É somente a partir de 1920 que o pensar mecanicista passou a ter um domínio sobre o pensamento biológico.

COMO SURGE A FORMA?

A hipótese da causação formativa, que é a base do meu trabalho, parte do problema da forma biológica. Dentro da biologia tem havido uma prolongada discussão a respeito da compreensão de como os embriões e organismos se desenvolvem. Como é que as plantas crescem a partir das sementes? Como é que os embriões se desenvolvem a partir de ovos fertilizados? Este é um problema para os biólogos; não é bem um problema para embriões e árvores, que apenas o fazem! No entanto os biólogos têm dificuldade de encontrar uma explanação causal para a forma. Na física, de certo modo a causa se iguala ao efeito. A quantidade de energia, matéria, e ‘momentum’ antes de uma dada mudança se igualam à quantia encontrada depois da mudança. A causa é contida no efeito e o efeito na causa. No entanto quando consideramos o crescimento de um carvalho a partir de uma ‘bolota’, parece não existir tal equivalência entre causa e efeito.

No século XVII a teoria mecanicista principal da embriologia era simplesmente que o carvalho estava contido na ‘bolota’: dentro de cada ‘bolota’ existia um carvalho em miniatura que inflava à medida que a árvore crescia. Esta teoria foi amplamente aceita, e foi a mais consistente com a abordagem mecanicista, como era compreendida naquela época. No entanto, como indicaram os críticos, se o carvalho é inflado e aquele carvalho por si mesmo produz ‘bolotas’, a árvore inflável deve conter ‘bolotas’ infláveis, que contêm carvalhos infláveis, ad infinito.

Se, por outro lado, mais forma vier de menos forma (cujo nome técnico é epigênese), então de onde é que vem mais forma?

Como aparecem as estruturas que não estavam ali antes? Nem platônicos nem aristotelianos tinham qualquer problema com esta questão. Os platônicos diziam que a forma vinha do arquétipo platônico: se existe um carvalho, então existe uma forma arquetípica de uma árvore de carvalho, e todos os carvalhos reais são simplesmente reflexos deste arquétipo. Uma vez que este arquétipo está além do espaço e do tempo, não existe necessidade de tê-lo acomodado sob a forma física de uma ‘bolota’. Os aristolelianos diziam que cada espécie tem a seu próprio tipo de alma, e a alma é a forma do corpo. O corpo está na alma, e não a alma no corpo. A alma é a forma do corpo e se encontra em volta do corpo e contém a meta do desenvolvimento (o que formalmente é chamado de intelequia). A alma de um carvalho contém o carvalho eventual.

O DNA É UM PROGRAMA GENÉTICO?

No entanto, uma visão mecanicista do mundo nega o animismo em todas as suas formas; ela nega a existência da alma e de qualquer princípio organizador não-material. Portanto, os mecanicistas têm de possuir algum tipo de pré-formação. No final do século XIX, a teoria do biólogo alemão August Weismann sobre o plasma germe fez reviver a idéia da pré-formação; a teoria de Weismann colocou “determinantes”, os quais supostamente faziam crescer o organismo, dentro do embrião. Esta idéia é a antecessora da idéia atual da programação genética, a qual constitui uma outra ressurgência do pré-formação de uma maneira moderna.

Como veremos, esse modelo não funciona muito bem. Presume-se que o programa genético seja idêntico com o DNA, a química genética. A informação genética está codificada no DNA e este código forma o programa genético. Mas tal salto exige que sejam projetadas no DNA propriedades que este não possui de fato. Nós sabemos o que o DNA faz: ele codifica para criar proteínas; ele codifica a seqüência de aminoácidos que forma proteínas. No entanto, existe uma grande diferença entre a codificação para a estrutura de uma proteína – um constituinte químico do organismo – e a programação do desenvolvimento de um organismo total esta é a diferença entre fazer tijolos e construir uma casa a partir dos tijolos. Os tijolos são necessários para construir a casa. Se você tem tijolos defeituosos, a casa será defeituosa. Mas o planejamento da casa não está contido nos tijolos, ou nos fios, ou nas pilastras, ou no cimento.

Por analogia, o DNA somente codifica para materiais dos quais o corpo é construído: as enzimas, as proteínas estruturais e assim por diante. Não existe evidência que ele também codifique para o planejamento, a forma, a morfologia do corpo. A fim de ver isto mais claramente, pense nos seus braços e pernas. A forma dos braços e das pernas é diferente; é óbvio que eles têm um formato diferente. Mesmo assim a química dos braços e das pernas é idêntica. Os músculos são os mesmos, as células nervosas são as mesmas, as células da pele são as mesmas e o DNA é o mesmo em todas as células dos braços e das pernas. De fato, o DNA é o mesmo em todas as células do corpo. O DNA sozinho não pode explicar a diferença na forma; algo mais é necessário para explicar a forma.

Na biologia mecanicista atual, se assume que isto é geralmente dependente dos chamados “padrões complexos de interação físico-químicos ainda não inteiramente compreendidos”. Assim a teoria mecanicista atual não é uma explicação, mas sim uma mera promessa de explicação. Isto é o que Sir Karl Popper tem chamado de “mecanicismo promissor”; Isto envolve listar notas promissoras contra explicações futuras que ainda não existem. Deste modo, não se trata de um argumento objetivo; é meramente uma afirmação baseada em fé.

O QUE SÃO CAMPOS MÓRFICOS?

A questão do desenvolvimento biológico, da morfogênese, está de fato bastante aberta e é matéria de muito debate dentro da biologia. Uma alternativa para a abordagem mecanicista/reducionista, a qual está em voga desde 1920, é a idéia dos campos morfogenéticos (modeladores da forma). Neste modelo, organismo que estão crescendo são moldados por campos que estão tanto dentro como em volta deles, campos que contém a forma do organismo. Isto está mais próximo da tradição aristotélica do que de qualquer uma das outras abordagens tradicionais. À medida que a árvore do carvalho se desenvolve, a ‘bolota’ está associada com um campo do carvalho, uma estrutura organizadora invisível que organiza o desenvolvimento do carvalho; se parece com um molde do carvalho, dentro do qual o organismo que está se desenvolvendo cresce.

Um fato que levou ao desenvolvimento desta teoria é a notável habilidade que os organismos têm para reparar danos. Se você cortar um carvalho em pedacinhos, cada pequeno pedaço, tratado de maneira apropriada, poderá crescer até se tornar uma nova árvore. Portanto a partir de um pequeno fragmento, você pode obter um inteiro. Máquinas não fazem assim; elas não têm este poder de permanecer inteiras se você remover partes delas. Esquarteje um computador e tudo o que você terá é um computador quebrado. Ele não se regenera em uma porção de computadorezinhos. Mas se você picar uma planária em pequenos pedaços, cada pedaço poderá crescer como nova planária. Uma outra analogia é a do magneto (imã). Se você cortar um imã em pedacinhos você com certeza terá uma porção de pequenos imãs, cada um com um campo magnético completo. Esta é uma propriedade holística que os campos têm que os sistemas mecânicos não têm a menos que estes estejam associados com campos. Um outro exemplo é o holograma, no qual qualquer parte contém o todo. Um holograma é baseado em padrões de interferência dentro do campo eletromagnético. Os campos assim têm uma propriedade holística a qual foi muito atraente para os biólogos que desenvolveram este conceito dos campos morfogenéticos.

Cada espécie tem os seus próprios campos, e dentro de cada organismo existem campos dentro de campos. Dentro de cada um de nós está o campo do corpo como um todo; campos para os braços e pernas e campos para rins e fígado; dentro estão campos para os diferentes tecidos dentro destes órgãos, e então campos para as células, e campos para as estruturas subcelulares, e campos para as moléculas e assim por diante. Existe uma série inteira de campos dentro de campos. A essência da hipótese que eu estou propondo é a que estes campos, os quais já estão amplamente aceitos dentro da biologia, têm uma espécie de memória embutida que deriva de formas prévias de uma espécie similar. O campo do fígado é moldado pelas formas de fígados anteriores e o campo do carvalho pelas formas e organização de árvores de carvalho anteriores. Através dos campos, por um processo chamado de ressonância mórfica, a influência de semelhante sobre o semelhante, existe uma conexão entre campos similares. O que significa que a estrutura do campo tem uma memória cumulativa, baseada naquilo que aconteceu às espécies no passado. Essa idéia se aplica não somente aos organismos vivos, mas também a moléculas de proteína, cristais, e mesmo átomos. No reino dos cristais, por exemplo, a teoria diria que a forma que um cristal toma depende do seu campo mórfico característico. Campo mórfico é um termo mais abrangente o qual inclui os campos tanto de forma como de comportamento; daqui por diante, eu deverei usar o termo campo mórfico ao invés de morfogenéticos.

QUÍMICOS BARBUDOS MIGRANTES

Se você fabrica um novo componente e o cristaliza, não haverá um campo mórfico para ele de uma primeira vez. Portanto, pode ser muito difícil cristalizar; você tem que esperar para que um campo mórfico emergia. Na segunda vez, entretanto, mesmo que você faça isto em algum outro lugar no mundo, haverá uma influência da primeira cristalização, e a cristalização deverá ser um pouco mais fácil. Na terceira vez haverá uma influência da primeira e da segunda, e assim por diante. Haverá uma influência cumulativa a partir de cristais prévios, portanto deverá se tornar cada vez mais fácil à cristalização conforme você cristaliza mais freqüentemente. E de fato, é isto precisamente o que ocorre. Químicos (que trabalham com materiais) sintéticos descobrem que novos componentes são geralmente muito difíceis de cristalizar. À medida que o tempo passa, tais componentes geralmente se tornam mais fáceis de cristalizar em todas as partes do mundo. A explicação convencional é que isto ocorre devido a fragmentos de cristais prévios que são carregados de laboratório em laboratório nas barbas dos químicos migrantes. Quando nenhum químico migrante esteve presente, supõe-se que os fragmentos se dispersaram pela atmosfera como se fossem partículas microscópicas de poeira.

Talvez os químicos migrantes realmente carreguem fragmentos nas suas barbas, e talvez partículas de poeira realmente sejam sopradas pela atmosfera. Entretanto, se a taxa de cristalização for mensurada sob condições rigorosamente controladas em vasos selados em diferentes partes do mundo, ainda deverá ser observado uma taxa acelerada de cristalização. Este experimento ainda não foi feito. Mas uma experiência relacionada a isto envolvendo taxas de reações químicas de novos processos sintéticos está sendo considerada no momento por uma empresa química importante na Grã-Bretanha porque, se tais coisas acontecem, devem ter implicações bastante importantes para a indústria química.

UMA NOVA CIÊNCIA DA VIDA

Existe um bom número de experimentos que podem ser feitos na esfera da forma biológica e do desenvolvimento da forma. Correspondentemente, os mesmos princípios se aplicam ao comportamento, formas de comportamento e padrões de comportamento. Considerem a hipótese de que se você treinar ratos para que aprendam um novo truque em Santa Bárbara, daí ratos de todo o mundo deverão estar aptos para aprender a fazer o mesmo truque mais rapidamente, somente porque os ratos de Santa Bárbara o aprenderam. Este novo padrão de aprendizado estará, como esteve, na memória coletiva dos ratos – no campo mórfico dos ratos, ao quais outros ratos podem sintonizar, somente porque eles são ratos e somente porque estão em circunstâncias semelhantes, por ressonância mórfica. Isto pode parecer um tanto improvável, mais este tipo de coisa pode tanto acontecer como não.

Dentre o vasto número de documentos nos arquivos sobre experimentos na psicologia dos ratos, existe um número de exemplos de experiências nas quais pessoas de fato monitorizaram taxas de aprendizado em função do tempo e descobriram aumentos misteriosos. No meu livro, Uma Nova Ciência da Vida, eu descrevo uma destas séries de experiências que se estenderam por um período de cinqüenta anos. Iniciada em Harvard e conduzida na Escócia e na Austrália, a experiência demonstrou que ratos aumentaram a sua taxa de aprendizado em mais de dez vezes. Este foi um efeito em massa – e não somente um resultado estatisticamente significante periférico. Esta taxa melhorada de aprendizado ocorreu em situações de aprendizado idênticas ocorridas nestes três locais separados e em todos os ratos da cepa, não somente nos ratos descendentes de genitores treinados.

Existem outros exemplos de distribuição espontânea de novos hábitos em animais e em pássaros que proporcionam no mínimo evidência circunstancial para a teoria da ressonância mórfica. A mais bem documentada de todas é o comportamento de uma espécie de azulão, um pássaro que é comum em toda a Grã-Bretanha. O leite fresco ainda é fornecido à porta das residências toda manhã no país. Até cerca de 1950 as tampas das garrafas de leite eram feitas de papelão. Em 1921, em South Ampton, um fenômeno estranho foi observado. De manhã, quando as pessoas saíam para pegar suas garrafas de leite, elas encontravam papeizinhos picotados em torno fundo da garrafa, e a nata de cima da garrafa havia desaparecido. Uma observação mais detalhada revelou que isto estava sendo feito pelos azulões, que pousavam no topo da garrafa, retiravam o papelão com seus bicos e então bebiam a nata. Muitos casos trágicos foram encontrados, nos quais muitos azulões foram descobertos com suas cabeças afogadas no leite! Este incidente causou um interesse considerável; que tal evento acontecesse em outros lugares do país, 50 algumas vezes 100 milhas de distância. Sempre que o fenômeno do azulão aparecia, começava a se espalhar localmente, supostamente por imitação. No entanto, os azulões são criaturas muito caseiras e normalmente não viajam mais do que quatro ou cinco milhas. Portanto, a disseminação do comportamento por distâncias maiores poderia somente ser contabilizada em termos de uma descoberta independente do hábito. O hábito do azulão foi mapeado por toda a Grã-Bretanha até 1947, época em que se tornou mais ou menos universalizado. As pessoas que fizeram o estudo chegaram a conclusão de que o hábito deveria ter sido “inventado” independentemente em pelo menos umas cinqüenta vezes. Mais do que isso, a taxa de distribuição do hábito se acelerou à medida que o tempo passava. Em outras partes da Europa a onde as garrafas de leite são distribuídas na soleira da porta, tais como na Escandinávia e na Holanda, o hábito também se construiu durante a década de trinta e se espalhou de modo semelhante. Aqui está um exemplo de um padrão de comportamento que foi espalhado de uma maneira que parecia se acelerar com o tempo, e que poderia proporcionar um exemplo de ressonância mórfica.

Mas existe uma evidência ainda mais forte para a ressonância mórfica. Devido à ocupação Alemã na Holanda, a distribuição de leite foi interrompida nos anos de 1939-40. A distribuição do leite não foi retomada até 1948. Uma vez que azulões geralmente vivem apenas de 2 a 3 anos, provavelmente não havia azulões vivos em 1948 que tivessem estados vivos na última vez que o leite fora distribuído. Mesmo assim quando a distribuição de leite foi reiniciada em 1948, a abertura das garrafas de leite pelos azulões se espalhou rapidamente em localidades bastante distantes na Holanda, e de modo extremamente rápido até que, em um ano ou dois, o hábito era uma vez mais universal. O comportamento se espalhou muito mais rapidamente e sobreveio independentemente muito mais freqüentemente da segunda vez do que da primeira. Este exemplo demonstra a distribuição evolutiva de um novo hábito que provavelmente não é genético, mas sim dependente de uma espécie de memória coletiva que se deve à ressonância mórfica.

O que eu estou sugerindo é que hereditariedade não depende somente do DNA, que habilita os organismos a construir os materiais de construção químicos corretos – as proteínas – mas também da ressonância mórfica. A hereditariedade tem, portanto dois aspectos: um é a hereditariedade genética, que é responsável pela herança de proteínas através do controle do DNA na síntese protéica; a segunda é uma forma de hereditariedade baseada em campos mórficos e em ressonância mórfica, que é não genética e que é herdada dos membros anteriores (passados) das espécies. Esta última forma de hereditariedade lida com a organização da forma e do comportamento.

A ALEGORIA DO APARELHO DE TELEVISÃO

As diferenças e conexões entre estas duas formas de hereditariedade tornam-se mais fácil de compreender se considerarmos uma analogia com a televisão. Pense sobre as figuras na tela como a forma na qual nós estamos interessados. Se você não soubesse como a forma surgiu, a explicação mais óbvia seria que haveria pequenas pessoas dentro do aparelho cujas sombras você estaria vendo na tela. Crianças pensam dessa maneira algumas vezes. Se você, no entanto afasta o aparelho e olha dentro, você descobre que não existem pessoas pequenas. Aí você poderia se tornar mais sutil e especular que as pequenas pessoas são microscópicas e estão na verdade por dentro dos cabos do aparelho de TV. Mas se você der uma olhada nos fios através de um microscópio, você também não encontrará nenhum pequenino.

Você poderia se tornar ainda mais sutil e propor que as pequenas pessoas na tela na verdade apareceram através de “interações complexas entre as partes do aparelho as quais ainda não estão inteiramente compreendidas”. Você poderia pensar que esta teoria seria comprovada se você cortasse alguns transistores do aparelho. As pessoas desapareceriam. Se você colocasse os transistores de volta, elas reapareceriam. Isto poderia prover evidências convincentes que elas surgiram a partir do interior do aparelho inteiramente sobre uma base de interação interna.

Suponha que alguém tenha sugerido que as figuras dos pequeninos venham de fora do aparelho, e que o aparelho captura as imagens como um resultado de vibrações invisíveis às quais o aparelho está sintonizado. Isto provavelmente soaria como uma explicação bastante oculta e mística. Você poderia negar que qualquer coisa esteja vindo para o aparelho. Você poderia até mesmo “prova-lo” ao pesar o aparelho ligado e desligado; pesaria o mesmo. Portanto, você poderia concluir que nada está entrando no aparelho.

Eu penso que esta é a posição da biologia moderna, tentando explicar cada coisa em termos do que ocorre dentro. Quanto mais explicações para a forma são procuradas dentro, mais enganosas se provam as explicações, e mais elas são atribuídas a ainda maiores interações sutis e complexas, as quais sempre desviam a investigação. Como eu estou sugerindo, as formas e padrões de comportamento estão na verdade sendo sintonizadas através de conexões invisíveis que surgem de fora do organismo. O desenvolvimento da forma é o resultado tanto da organização interna do organismo quanto da interação dos campos mórficos aos quais ele está sintonizado.

Mutações genéticas podem afetar este desenvolvimento. Mais uma vez pense no aparelho de TV. Se nós provocarmos uma mutação em um transistor ou um condensador dentro do aparelho, você pode obter imagens ou som distorcidos. Mais isto não prova que as imagens e o som são programados por estes componentes. E nem isto prova que a forma e comportamento são programados pelos genes, se acharmos que existem alterações na forma e no comportamento como um resultado de mutação genética.

Existe uma outra espécie de mutação que é particularmente interessante. Imagine uma mutação no circuito de sintonização do seu aparelho, de modo que ela altera a freqüência ressonante do circuito de sintonização. Sintonizar a sua TV depende de um fenômeno ressonante; o sintonizador ressona à mesma freqüência da freqüência do sinal transmitido pelas diferentes estações. Assim, os mostradores da sintonização são medidos em hertz, que é uma medida de freqüência. Imagine uma mutação no sistema de sintonização de maneira que você sintoniza um canal e um canal diferente aparece. Você pode rastrear isto de volta a um único condensador ou resistor que havia sofrido uma mutação. Mas não seria válido concluir que os novos programas que você está assistindo, as diferentes pessoas, os diferentes filmes e propagandas, são programados dentro do componente que foi mudado. E nem isto prova que a forma e o comportamento são programados no DNA quando mutações genéticas levam a mudanças na forma e no comportamento. A conclusão usual é que se você pode mostrar que alguma coisa se altera como um resultado de uma mutação, então aquilo deve estar programado, ou controlado, ou determinado pelo gene. Eu espero que esta analogia com a TV torne claro que esta não é a única conclusão. Poderia ser que ela esteja apenas afetando o sistema de sintonização.

UMA NOVA TEORIA DA EVOLUÇÃO

Uma grande quantidade de trabalhos está sendo efetuada pela pesquisa biológica contemporânea a respeito de tais mutações “sintônicas” (formalmente chamadas de mutações homeóticas). O animal mais utilizado nas investigações é a drosófila, a mosca da fruta. Uma extensão inteira destas mutações, que produzem diversos tipos de monstruosidades tem sido descobertas. Uma espécie, denominada antennapedia, se destaca por ter suas antenas transformadas em pernas. Estas infelizes moscas, que contém apenas um único gene alterado, produzem pernas que crescem a partir de suas cabeças, ao invés de antenas. Existe uma outra mutação que conduz o segundo par, dos três pares de pernas da drosófila, a ser transformados em antenas. Normalmente as moscas têm um par de asas e, no seguimento por detrás das asas, existem pequenos órgãos que oscilam chamados halteres. Uma outra mutação ainda, leva á transformação do seguimento que normalmente contém os halteres, para uma duplicação do primeiro seguimento, de maneira que tais moscas têm quatro asas ao invés de duas. Estas são chamadas de mutantes bitoráxicas.

Todas estas mutações são dependentes de genes únicos. Eu proponho que de alguma maneira estas mutações de genes únicos são mudanças na sintonia de uma parte do tecido embrionário, de modo que ele se sintoniza com um campo mórfico diferente do que aquele o qual normalmente o faz, e assim uma diferente combinação de estruturas surge, exatamente como quando sintonizamos em um canal de TV diferente.

Podemos observar a partir destas analogias, como tanto a genética como a ressonância mórfica estão envolvidas na hereditariedade. È claro, uma nova teoria de hereditariedade conduz a uma nova teoria da evolução. A teoria evolutiva de hoje está baseada na suposição de que virtualmente toda a hereditariedade é genética. A sociobiologia e o neodarwinismo em todas as suas diversas formas baseiam-se na seleção dos genes, freqüência dos genes e assim por diante. A teoria da ressonância mórfica conduz a uma visão muito mais ampla que permite que uma das maiores heresias da biologia uma vez mais seja levada a sério: a idéia da herança de características adquiridas. Comportamentos aprendidos por organismos, ou formas desenvolvidas por eles, pode ser herdada por outros mesmo que não sejam descendentes dos organismos originais – por ressonância mórfica.

UM NOVO CONCEITO DE MEMÓRIA

Quando consideramos a memória, esta hipótese conduz a uma abordagem muito diferente da abordagem tradicional. O conceito chave da ressonância mórfica é que coisas semelhantes influenciam coisas semelhantes através do espaço e do tempo. A quantidade de influência depende do grau de similitude. A maioria dos organismos é mais semelhante a si mesmos no passado do que o são em relação a qualquer outro organismo. Eu me pareço mais comigo mesmo há cinco minutos atrás do que eu me pareço com qualquer um de vocês; todos nós somos mais parecidos com nós mesmos no passado do que com qualquer outra pessoa. É a mesma coisa com qualquer outro organismo. Esta auto-ressonância com estados passados daquele mesmo organismo, no seio da forma, ajuda a estabilizar os campos morfogenéticos, a estabilizar a forma do organismo, mesmo que os constituintes químicos nas células estejam se transformando e mudando. Padrões habituais de comportamento também são sintonizáveis a partir do processo de auto-ressonância. Se eu começo a andar de bicicleta, por exemplo, o padrão de atividade do meu sistema nervoso e dos meus músculos, em resposta ao equilíbrio sobre a bicicleta, imediatamente me sintoniza por similaridade a todas as ocasiões anteriores nas quais eu andei de bicicleta. A experiência de andar de bicicleta é dada por ressonância mórfica cumulativa a todas aquelas ocasiões passadas. Não é uma memória verbal ou intelectual; é uma memória corporal do andar de bicicleta.

Isso também se aplicaria à memória de eventos reais: aquilo o que eu fiz ontem em Los Angeles ou no ano passado, na Inglaterra. Quando eu penso sobre estes eventos em particular, eu estou me sintonizando às ocasiões nas quais estes eventos ocorreram. Existe uma conexão causal direta através de um processo de sintonização. Se essa hipótese for correta, não é necessário admitir que memórias são armazenadas dentro do cérebro.

O MISTÉRIO DA MENTE

Todos nós fomos conduzidos à idéia de que as memórias estão armazenadas no cérebro; usamos a palavra cérebro de forma intercambiável com mente ou memória. Eu estou sugerindo que o cérebro se parece mais como um sistema de sintonização do que com um aparelho de armazenamento de memória. Um dos principais argumentos para a localização da memória no cérebro é o fato de que certos tipos de lesão cerebral podem levar a perda de memória. Se o cérebro é lesado em um acidente de carro e alguém perde a memória, a suposição óbvia é que o tecido da memória deva ter sido destruído. Mas não é necessariamente assim.

Considere novamente a analogia da TV. Se eu danificar o seu aparelho de TV de modo que você ficou incapacitado de receber determinados canais, ou se eu tornar o aparelho de TV afásico ao destruir a parte ligada à produção do som de modo que você ainda pudesse obter as imagens, mas não o som, isto não provaria que o som ou as imagens estaria armazenado dentro do aparelho de TV. Isso meramente mostraria que eu havia afetado o sistema de sintonização de maneira que você não poderia mais pegar o sinal correto. Nem a perda da memória devida a lesão cerebral prova que a memória se encontra armazenada dentro do cérebro. De fato, a maioria das perdas de memória é temporária: amnésia após uma concussão, por exemplo, é freqüentemente temporária. Esta recuperação da memória é muito difícil de explicar em termos das teorias convencionais: se as memórias foram destruídas por que o tecido de memória foi destruído, elas não deveriam voltar novamente; mesmo assim elas freqüentemente retornam.

Um outro argumento para a localização da memória dentro do cérebro é sugerido pelos experimentos sobre estimulação elétrica do cérebro feito por Wilder Penfield e colaboradores. Penfield estimulou os lobos temporais dos cérebros de pacientes epiléticos e descobriu que alguns destes estímulos podiam disparar respostas vívidas, as quais eram interpretadas pelos pacientes como memórias de coisas que eles haviam feito no passado. Penfield supôs que ele estava de fato estimulando memórias que estavam armazenadas no córtex. De volta a analogia da TV, se eu estimulasse o circuito de sintonização do seu aparelho de TV e ele pulasse para outro canal, isto não provaria que a informação estava armazenada dentro do circuito de sintonização. É interessante que, no seu último livro, “The Mystery of the Mind”, o próprio Penfield abandonou a idéia de que os experimentos provavam que a memória estava dentro do cérebro. Ele chegou à conclusão de que a memória não estava absolutamente armazenada dentro do córtex.

Tem havido muitas tentativas de localizar traços da memória dentro do cérebro, a mais conhecida delas foi a de Karl Lashley, o grande neuro-fisiologista americano. Ele treinou ratos para aprenderem truques, e então tirou pedaços dos cérebros dos ratos para determinar se eles ainda poderiam fazer os truques. Para seu espanto, ele descobriu que ele poderia remover até 50% do cérebro – qualquer 50% – e não haveria nenhum efeito na retenção do aprendizado. Quando ele removia todo o cérebro, os ratos não conseguiam fazer tais truques, portanto ele concluiu que o cérebro era de algum modo necessário para o desempenho da tarefa – o que dificilmente é uma conclusão surpreendente. O que era surpreendente era a quantidade de cérebro que ele podia remover sem afetar a memória.

Resultados semelhantes têm sido encontrados por outros investigadores, até mesmo com invertebrados como o polvo. Isso levou o investigador a especular que a memória estava em todos os lugares, mas também em nenhum lugar em particular. O próprio Lashley concluiu que memórias são armazenadas de uma forma distribuída por todo o cérebro, já que ele não pode encontrar os vestígios de memória que a teoria clássica exigia. O seu aluno, Karl Pribram, estendeu esta idéia com a teoria holográfica do armazenamento da memória: a memória é como uma imagem holográfica, armazenada como um padrão de interferência pelo cérebro.

O que Lashley e Pribram (pelo menos em uma parte dos seus escritos) parecem não ter considerado é a possibilidade de que memórias podem não estar de modo algum armazenadas dentro do cérebro. A idéia de que elas não estão armazenadas dentro cérebro é mais consistente com os dados disponíveis do que as teorias convencionais ou a teoria holográfica. Muitas dificuldades surgiram ao se tentar localizar o armazenamento da memória no cérebro, em parte porque o cérebro é muito mais dinâmico do que se pensava anteriormente. Se o cérebro fosse para servir como um armazém de memória, então o sistema de armazenamento teria que permanecer estável; e mais, é sabido hoje que as células nervosas são substituídas muito mais rapidamente do que se pensava anteriormente. Toda a química nas sinapses e estruturas nervosas e moléculas são trocadas e mudam o tempo todo. Com um cérebro muito dinâmico, é difícil visualizar como as memórias são armazenadas.

Também existe um problema lógico a respeito das teorias convencionais de armazenamento da memória, para o qual diversos filósofos apontaram. Todas as teorias convencionais supõem que as memórias são, de algum modo, codificadas e localizadas em um depósito de memória no cérebro. Quando elas são necessárias, são recuperadas por um sistema de reparação. Este é o chamado modelo de codificação, armazenamento e recuperação. No entanto, para que um sistema de recuperação recupere qualquer coisa, ele deve saber o que é que quer recuperar; um sistema de recuperação de memória tem que saber qual memória procurar. Ele, portanto deve estar apto a reconhecer a memória a qual está tentando recuperar. A fim de reconhecê-la, o próprio sistema de recuperação deve ter algum tipo de memória. Portanto o sistema de recuperação deve ter um subsistema de recuperação para recuperar as suas memórias do seu depósito. Isso leva a uma regressão infinita. Diversos filósofos defendem que esta é uma falha lógica fatal em qualquer teoria convencional sobre armazenamento de memória. No entanto, no geral, os teóricos da memória não estão muito interessados naquilo o que os filósofos dizem, assim eles não se incomodam de se contrapor a este argumento. Mas este me parece ser de fato um argumento bastante poderoso.

Ao considerar a teoria de ressonância mórfica da memória, poderíamos perguntar: se nós nos sintonizamos com as nossas próprias memórias, então porque não nos sintonizamos também com as de outras pessoas? Eu penso que nós nos sintonizamos, e que toda a base da abordagem que eu estou sugerindo é a que existe uma memória coletiva à qual nós todos estamos sintonizados e que forma uma base contra a qual a nossa própria experiência se desenvolve e contra a qual as nossas próprias memórias individuais se desenvolvem. Esse conceito é muito semelhante à noção do inconsciente coletivo.

Jung pensava sobre o inconsciente coletivo como uma memória coletiva, a memória coletiva da humanidade. Ele pensava que as pessoas estariam mais sintonizadas aos membros da sua própria família e raça e grupo social e cultural, mas que não obstantemente, haveria uma ressonância de base a partir de toda a humanidade: uma experiência agrupada ou de uma média de coisas básicas as quais todas as pessoas vivenciam (e.é., comportamento materno, e diversos padrões sociais e estruturas da experiência e do pensamento). Não seria tanto uma memória de pessoas em particular no passado, mas uma média das formas básicas das estruturas de memórias; estes são os arquétipos. A noção de Jung sobre o inconsciente coletivo é de um bom senso extremo no contexto da abordagem geral que eu estou adiantando. A teoria de ressonância mórfica levaria a uma reafirmação radical do conceito de Jung a respeito do inconsciente coletivo.

A teoria necessita de reafirmação porque o contexto atual mecanicista da biologia, medicina e psicologia convencional nega que possa existir tal coisa como o inconsciente coletivo; o conceito de uma memória coletiva de uma raça ou espécie tem sido excluído até mesmo como uma possibilidade teórica. Você não pode ter qualquer herança de características adquiridas, de acordo com a teoria convencional; você somente pode ter uma herança de mutações genéticas. Sob as premissas da biologia convencional, não haveria nenhuma forma de que experiências e mitos de tribos africanas, por exemplo, terem qualquer influência sobre os sonhos de alguém na Suíça, de descendência não-africana, o que é o tipo de coisa que Jung pensava que realmente pode acontecer. Isto é bastante impossível do ponto de vista convencional, sendo por isso que a maioria dos biólogos da corrente principal da ciência não leve a idéia do inconsciente coletivo a sério. Ela é considerada uma idéia marginal, escamosa, que pode ter algum valor poético, como uma espécie de metáfora, mas não tem relevância para a ciência em si porque é um conceito completamente insustentável do ponto de vista da biologia normal.

A abordagem que eu estou passando adiante é bastante semelhante à idéia de Jung do inconsciente coletivo. A principal diferença é que a idéia de Jung foi aplicada primariamente à experiência humana e à memória coletiva humana. O que eu estou sugerindo é que um princípio semelhante opera por todo o universo, não apenas em seres humanos. Se a espécie de mudança do paradigma radical de que eu estou falando prosseguir dentro da biologia – se a hipótese da ressonância mórfica estiver até mesmo aproximadamente correta – então a idéia de Jung sobre o inconsciente coletivo tornar-se-ia uma idéia central para ser seguida: campos morfogênicos e o conceito do inconsciente coletivo mudariam completamente o contexto da psicologia moderna.

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Religião

Agosto 11, 2008 at 3:04 pm (Swoboda)

por J. Krishnamurti

“Para descobrir o que é verdadeira religião, você precisa afastar tudo o que estiver no caminho dessa descoberta. Se você tem muitas janelas coloridas ou sujas e quer ver a clara luz do Sol, precisa limpar ou abrir as janelas, ou sair de casa. Da mesma forma, para descobrir o que é a verdadeira religião, você deve primeiro ver o que a verdadeira religião não é, e pôr isso à parte. Então poderá descobrir – porque, então, haverá percepção direta. Vejamos pois o que não é religião.

Cumprir rituais – isso é religião ? Você repete muitas e muitas vezes um certo ritual, um certo mantra em frente de um altar ou de um ídolo. Isso pode lhe dar uma sensação de prazer, uma sensação de satisfação; mas será isso religião? Vestir uma roupa sagrada, intitular-se indú, budista ou cristão, aceitar determinadas tradições, dogmas, crenças – tem tudo isso algo a ver com religião? Obviamente não. Por conseguinte, a religião deve ser algo que só se poderá encontrar quando a mente tenha entendido e descartado isso tudo.

Religião, no verdadeiro sentido da palavra, não trás separação. Mas, que acontece quando você é muçulmano e eu cristão, ou quando eu creio numa coisa e você nela não crê? Nossas crenças nos separam; portanto, nossas crenças nada tem a ver com religião. O fato de crermos ou não em Deus tem pouca significação; porque aquilo em que cremos ou em que deixamos de crer é determinado por nosso condicionamento. A sociedade em torno de nós, a cultura em que somos criados, imprime em nossas mentes certas crenças, certos medos e superstições a que chamamos religião; mas que nada tem a ver com religião. O fato de você crer de um modo e eu de outro depende, em grande parte, de onde tenhamos nascido, se nascemos na Inglaterra, na Índia ou na América. Assim sendo, crença não é religião, é apenas o resultado de um condicionamento.

Há além disso, a busca da salvação pessoal. Quero estar seguro; quero atingir o nirvana, ou alcançar o céu; preciso encontrar um lugar junto de Jesus, junto de Buda ou à direita de algum deus particular. Sua crença não me dá satisfação profunda, conforto; por isso tenho a minha própria crença. E será isso religião? Sem dúvida, nossas mentes precisam estar livres de todas essas coisas para podermos descobrir o que é a verdadeira religião.

E será religião simplesmente uma questão de fazer o bem, de servir ou ajudar os outros? Ou será mais que isso? O que não quer dizer que não devamos ser generosos ou bons. Mas será só isso? Religião não será algo muito maior, muito mais puro, vasto, expansivo do que qualquer coisa concebida pela mente?

Assim, para descobrir o que seja a verdadeira religião, você precisa investigar profundamente todas essas coisas e libertar-se do medo. É como sair de uma casa escura para a claridade do Sol. Então, você não perguntará o que é a verdadeira religião; você mesmo saberá. Haverá experiência direta daquilo que é verdadeiro.”

( O Verdadeiro Objetivo Da Vida – págs. 98 e 99 – Edit. Cultrix )

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A Mente de Gaia

Julho 16, 2008 at 5:22 pm (Swoboda)

Natureza é  Materialização da Espiritualidade

Nosso planeta possui um tipo de inteligência organizada. Ele é muito diferente de nós. Ele teve cinco ou seis milhões de anos para criar uma mente que funciona lentamente, que é feita de oceanos, rios, florestas e gelo. Ele está se tornando consciente de nós, a medida em que nos tornamos conscientes dele. E porque a vida de um depende da vida do outro, temos um sentimento sobre essa imensa, estranha, sagaz, velha, neutra, esquisita coisa, e tentamos descobrir por que seus sonhos estão tão atormentados, e por que tudo está tão desequilibrado.

A Terra tem uma forma de inteligência capaz de abrir um canal de comunicação com os seres humanos individualmente.

A mensagem que a natureza nos manda é: transforme tudo através da sinergia que existe entre a cultura eletrônica e a imaginação psicodélica, entre dança e idéia, entre compreensão e intuição, e dissolva as amarras em que a sociedade o prendeu. Assim você será parte integrante da supermente de Gaia.

A experiência psicodélica é muito mais do que psicoterapia instantânea ou regressão, mais do que um simples tipo de superafrodisíaco, mais do que uma ajuda para formular idéias ou descobrir conceitos artísticos. A experiência psicodélica é, na verdade, o corredor que nos leva a um continente perdido da raça humana, um continente do qual não temos mais nenhuma conexão. E a natureza deste continente perdido da mente humana é o próprio intelecto de Gaia. Se confiamos nas evidências da experiência psicodélica descobrimos que não somos a única forma de vida inteligente neste planeta; descobrimos que compartilhamos com a Terra um tipo de consciência.

Chame essa consciência de Gaia, chame-a de Zeta Reticulians, que esteve aqui há milhões de anos atrás, chame-a de Deus Todo Poderoso, não importa do que você a chama! O fato é que as alegações religiosas de que existe um tipo de poder superior pode ser verificada através dos psicodélicos. Mas isto não é, como Milton diz “O Deus que segurou as estrelas como lâmpadas no céu”; não tem nada a ver com isso. Não é cósmico em escala, e sim planetário em escala. Existe um tipo de inteligência desencarnada… está na água, está no solo, está na vegetação, está na atmosfera em que respiramos.

E nossa infelicidade, nosso desconforto, emerge do fato de que nos perdemos na história, considerando que história é um estado de ignorância originada pelos fatos ditos “reais” de como o mundo funciona.

Agora, por que será que quando ingerimos um neurotransmissor humano como o DMT, encontramos exércitos de gnomos nos ensinando uma forma perfeita de comunicação? Esta é uma pergunta muito difícil. Quando você visita culturas tradicionais como a cultura xamânica da Amazônia e pergunta isto para eles, eles respondem sem hesitação que essas pequenas entidades “são o espírito de nossos ancestrais, pelos quais trabalhamos toda a nossa mágica”. Isto acontece no mundo inteiro, é a resposta clássica que os xamãs dão… é através da intersecção dos espíritos, que é uma criatura de outra dimensão, que eles vivem em harmonia com a natureza.

Nós imaginamos muitos cenários diferentes, um futuro tecnológico cheio de inovações sociais, mas acredito que muito poucos de nós consideram seriamente o xamanismo. Xamãs são pessoas que aprenderam a penetrar em outra dimensão, onde nossos ancestrais estão presentes. Não é, vocês sabem, ir ao mundo dos mortos, e sim a descoberta de que esse tal mundo é o lugar de reencarnação dos mortos, um tipo de dimensão superior com altos graus de liberdade, com um senso maior de espontaneidade e de menor dependência do entorpecente mundo material. Este outro universo tenta influenciar o nosso universo, talvez para tentar nos resgatar de nosso drama histórico. Talvez os xamãs tenham estado desde sempre envolvidos com esses mundos invisíveis, e que é apenas o triste destino da cultura ocidental ter perdido contato e consciência com este universo, a ponto dele surgir para nós como uma revelação. Eu acredito que sucumbimos à masculina dominância do patriarcado quando quebramos vínculo com a mente de Gaia, a qual os xamãs acessam através de plantas psicoativas (sem elas o acesso é apenas um rumor inconfirmável).

A mente de Gaia é o que chamamos a experiência psicodélica. É uma experiência sobre o fato de que o intelecto do planeta está vivo, e que sem esta experiência nós vagamos num deserto de ideologias furadas. Com esta experiência o compasso do Eu Superior existente em cada ser humano pode ser acertado.

( Terence McKenna )

Fonte: www.deoxy.org

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